Cenários políticos se desenham com nomes em destaque
Com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, a direita no Rio de Janeiro começa a afunilar as opções para o comando do estado. A situação se torna ainda mais complexa conforme o atual governador, Cláudio Castro, se prepara para uma disputa ao Senado.
Recentemente, Gilmar Mendes manifestou apoio a Lewandowski, após o ex-ministro da Justiça ter sido alvo de ataques por parte de setores mais conservadores. Tal situação reflete um ambiente político tenso, onde a polarização entre direita e esquerda se intensifica.
Dentre os nomes favoritos, Flávio Bolsonaro tem como preferido o chefe da Polícia Civil, Felipe Curi. No entanto, o nome que ganhou maior consenso entre os políticos é o do secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL). Com apenas 36 anos, Ruas é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, e tem sido visto como uma figura promissora devido à sua atuação em uma pasta com ampla capilaridade no estado.
Entretanto, aliados próximos a Ruas expressam preocupações quanto ao potencial que ele tem a perder ao se lançar na corrida pelo governo, especialmente com o prefeito Eduardo Paes (PSD) como um forte concorrente. O deputado estadual, que ambiciona a presidência da Alerj no próximo biênio, poderia enfrentar um custo elevado ao entrar numa eleição tão acirrada.
Desafios e estratégias eleitorais
Outros nomes, como Curi ou até mesmo opções menos convencionais, demonstram disposição para encarar a missão. Contudo, esses candidatos ainda precisam conquistar o apoio de partidos do Centrão, que têm a força necessária para influenciar o cenário político do estado.
Outro fator a ser considerado é que o governador Castro, com pretensões de disputar o Senado, deverá se desincompatibilizar do cargo até o início de abril, conforme determinação da Justiça. Portanto, há a necessidade de pensar em uma nova eleição, que é a escolha indireta de um novo comandante do estado, que ocupará o posto até o fim do ano. Isso se dá devido à saída do vice-governador eleito em 2022, Thiago Pampolha, que foi nomeado para o Tribunal de Contas do Estado (TCE).
O nome que mais se destaca para essa eleição indireta é o de Nicola Miccione, secretário da Casa Civil. Com uma trajetória sólida no Banco do Nordeste e sem experiência eleitoral anterior, Miccione é visto como um técnico apto a assumir um mandato-tampão de nove meses. O atual quadro financeiro do estado, que apresenta um déficit previsto de R$ 19 bilhões até 2026, exige políticas de austeridade e cortes de gastos. Assim, a escolha por alguém que não dispute a reeleição em outubro parece estratégica, segundo interlocutores de Castro.
Pressão e exigências na política carioca
Entretanto, algumas correntes defendem que o nome escolhido para o mandato-tampão poderia se tornar o candidato da eleição direta, utilizando a máquina pública para alavancar sua campanha eleitoral. A escolha de Miccione também é vista como um acordo entre Castro e Paes, onde ambos se beneficiam: enquanto Miccione é um nome de confiança para o governador, Paes evita ter um adversário forte nas eleições de outubro.
O rearranjo entre a direita e o Centrão ocorre em um cenário de descontentamento de alguns dirigentes com a administração de Paes, que é criticado pela dificuldade em ceder espaços estratégicos a outros grupos. Ao mesmo tempo, alguns partidos estão demandando garantias que muitos consideram excessivas, o que gera tensões e pressões sobre o prefeito para que ele ajuste a composição de sua chapa e do governo.
Um dos setores mais disputados é o da Saúde, historicamente dominado pelo PP. Contudo, sabe-se que Paes é relutante em abrir mão de ter alguém em quem confia à frente dessa pasta. O mesmo vale para as secretarias de Educação, Segurança Pública e Fazenda, que enfrentam os maiores desafios do estado. Para aliados, seria incoerente vencer a eleição mantendo uma estrutura governamental praticamente inalterada.
Por fim, o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, do PP, é visto como o candidato ideal para o cargo de vice na chapa, tanto pela visão de Paes quanto do grupo da direita em busca de novas alternativas. Lisboa foi cogitado como parceiro de coligação para a candidatura de Douglas Ruas, embora o entorno de Paes se mantenha otimista em relação a outras possibilidades.
Outro nome que também mostra interesse em compor a chapa é o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho, também do PP. Garotinho mantém diálogo com Paes, e, apesar de terem trocado ofensas recentemente nas redes sociais, a possibilidade de uma aliança ainda está em pauta.
