Mudança no Retrato e Silenciamento de Fatos Históricos
A Galeria Nacional de Retratos, localizada em Washington, D.C., fez uma alteração significativa em sua exibição ao substituir o retrato de Donald Trump. Além da nova imagem, a instituição decidiu remover menções aos dois processos de impeachment enfrentados pelo ex-presidente, assim como referências ao ataque ao Capitólio ocorrido em 6 de janeiro de 2021. O novo retrato apresenta Trump em pé no Salão Oval, com uma expressão séria e os punhos cerrados sobre a mesa. A legenda que acompanhava a obra foi drasticamente reduzida, limitando-se apenas ao período em que ele ocupou a Presidência dos Estados Unidos.
Anteriormente, o texto que acompanhava seu retrato destacava que Trump havia sido alvo de dois impeachments — um por abuso de poder e outro por incitação à insurreição, após a invasão do Capitólio por seus apoiadores — embora tenha sido absolvido pelo Senado em ambas as ocasiões. A decisão de suprimir essas informações durante a troca do retrato gerou reações e questionamentos sobre a transparência da Galeria.
Interferências e Influências Culturais
Relatos da imprensa americana indicam que essa troca de retrato e a eliminação de informações relevantes ocorreram sem explicações públicas detalhadas do museu, que faz parte da Instituição Smithsonian. Essa mudança é vista como um reflexo das tentativas de Trump em influenciar a forma como sua trajetória presidencial é percebida e registrada pelas instituições culturais. Em maio, o ex-presidente chegou a afirmar ter demitido Kim Sajet, a então diretora da Galeria, acusando-a de partidarismo e de apoiar políticas de diversidade, equidade e inclusão. Embora o conselho do Smithsonian tenha rejeitado essa acusação, Sajet deixou o cargo algumas semanas depois, em meio à controversa atmosfera política.
Referências que Desaparecem
Essa não é a primeira vez que menções inconvenientes a Trump são removidas do Smithsonian. Em julho, o Museu Nacional de História Americana também retirou referências aos processos de impeachment de exposições que estavam em exibição. Em março do ano passado, Trump assinou uma ordem executiva que impunha restrições ao uso de recursos da instituição em programas que, segundo suas palavras, “degradassem valores americanos compartilhados” ou promovesse ideias que fossem contrárias à política federal vigente.
A relação de Trump com a sua própria imagem sempre foi complexa. No ano passado, ele criticou um retrato exposto no Capitólio do Colorado, descrevendo-o como “propositadamente distorcido”. Meses depois, essa obra foi substituída. Mais recentemente, o ex-presidente mandou instalar uma espécie de “Caminhada da Fama Presidencial” na Casa Branca, que curiosamente não incluiu Joe Biden em suas homenagens.
Reações e Declarações
Embora a Galeria Nacional de Retratos não tenha se manifestado oficialmente sobre esta troca, uma porta-voz comentou ao Washington Post que a instituição está avaliando o uso de legendas mais neutras e sucintas em suas exposições. É importante notar que o retrato de Trump já havia sofrido alterações anteriormente. O resultado dessa nova mudança, no entanto, é visualmente impactante: a nova placa é tão curta que deixa visível o contorno da antiga, evidenciando um vestígio do que foi apagado da narrativa oficial. Essa questão levanta um debate importante sobre a preservação da história e a forma como eventos significativos são representados nas instituições culturais dos Estados Unidos.
