Uma História de Belicismo e Domínio
A trajetória da política externa dos Estados Unidos é um reflexo inegável de sua história marcada pela colonização violenta. Desde os tempos dos primeiros colonizadores ingleses e espanhóis, a formação da sociedade americana tem sido permeada por um espírito de beligerância, que se manifesta em suas interações globais. Essa realidade, que poderia ser considerada uma herança, revela um pragmatismo que ignora limites éticos e se sustenta na ideologia da força como instrumento de legitimação de suas ações internacionais. Frantz Fanon, em suas obras, já nos alertava sobre a alienação dos colonizados, que frequentemente alinhavam seus interesses aos do colonizador. Recentemente, algumas incursões de políticos brasileiros de extrema-direita em parceria com a Casa Branca evidenciam como interesses nacionais podem ser manipulados em favor de agendas externas, como observamos nas negociações envolvendo o agronegócio brasileiro com Washington, especialmente durante a administração de Donald Trump.
O direito, muitas vezes, é moldado pela força, assim como as legiões romanas impuseram seu domínio nos territórios conquistados. Hoje, a força militar dos EUA, que se apoia em um arsenal atômico significativo, dita o ritmo da nova ordem mundial. A “Conquista do Oeste” é, portanto, uma metáfora não apenas para a história americana, mas para um padrão de expansão que perdura e se atualiza, destacando a contínua violência que caracteriza a alma estadunidense. Essa violência é visível nas várias faces do imperialismo americano: desde a ocupação do território nativo, a escravidão, até as guerras de agressão, sempre em busca de novos territórios e mercados.
Imperialismo e Capitalismo: Uma Relação Indissociável
O conceito de imperialismo, conforme delineado por Lênin, descreve a fase avançada do capitalismo onde a dominação dos monopólios e do capital financeiro se torna predominante. Contudo, essa visão parece não ter sido suficientemente absorvida pelos estrategistas brasileiros, já que o imperialismo não se limita a ações de política externa, mas se configura como uma estrutura histórica do capitalismo. A necessidade de expansão, relacionada à busca por mercados e recursos, é uma constante que molda as relações internacionais.
Após a Primeira Guerra Mundial, a ascensão dos EUA na esfera global começou a tomar forma, especialmente com a criação de instituições financeiras como o FMI e o Banco Mundial, que garantiram a hegemonia do dólar como moeda global. Esse cenário se consolidou durante a Conferência de Bretton Woods em 1944, onde foi estabelecido um novo sistema monetário que ainda hoje serve de base para as relações econômicas internacionais. Embora o dólar tenha perdido parte de sua força, ele continua a ser a principal moeda de reserva mundial, permitindo que os EUA financiem seus déficits sem maiores restrições.
Desafios Contemporâneos e o Papel da China
O cenário internacional atual é marcado por novas dinâmicas, onde a China se coloca como um competidor em ascensão. Com um desenvolvimento econômico impressionante, a China se destaca não apenas pela sua capacidade de inovação, mas também pela construção de monopólios em setores estratégicos, como as terras raras. Essa crescente influência faz com que os EUA se vejam desafiados, especialmente em um contexto de competição tecnológica e militar. Estima-se que, em cerca de duas décadas, a China possa superar os EUA em diversos aspectos econômicos.
Entretanto, o poder militar dos EUA ainda se mantém forte, com a estrutura militarizada atuando como um pilar das políticas de dominação. As tensões geopolíticas envolvendo Taiwan e o Mar do Japão exemplificam a delicada relação entre as potências. A China, por sua vez, busca consolidar sua presença sem se aventurar em um expansionismo excessivo, preferindo focar em seu entorno imediato.
O Futuro da Política Global
A história revela que os EUA, com sua máquina militar sem precedentes, estão sempre em busca de novas formas de expansão, seja na Europa, Oriente Médio ou América Latina. A luta pela manutenção de sua influência é um reflexo de uma estratégia que visa, acima de tudo, preservar seus interesses. O mundo contemporâneo, portanto, é uma arena onde os desafios econômicos e as tradições de dominação se entrelaçam, e a história permanece um campo de batalha em constante transformação.
