Análise dos Desafios Fiscais do Brasil
O presidente do Bradesco, em recente declaração, destacou que o Brasil enfrenta um desafio institucional significativo na área da política fiscal. Segundo ele, a situação atual da dívida pública, que já ultrapassa 80% do PIB, chama atenção e exige uma ação eficaz para estabilizá-la. Esse desafio não é apenas uma questão pontual, mas um aspecto que deve ser abordado com urgência pelos próximos governantes.
A questão fiscal está intimamente ligada ao panorama econômico global e aos impactos que ele pode ter sobre o Brasil. Em 2025, espera-se que o PIB mundial cresça em torno de 3,3%, com uma projeção semelhante para 2026, atingindo cerca de 3,2%. Curiosamente, o impacto das tarifas comerciais foi menos significativo do que se previa, permitindo que a economia global se adaptasse sem grandes perturbações. Ademais, a China, com sua robusta capacidade produtiva, está exportando deflação, o que ajuda a conter pressões inflacionárias em várias economias.
Enquanto isso, o Brasil projeta um crescimento de apenas 1,5% para 2026, mesmo mantendo um nível de desemprego relativamente baixo, estimado em 5,5%. Esse cenário é intrigante, pois mesmo com um mercado de trabalho estável, a expansão da massa salarial deve continuar, sustentando o consumo das famílias. No entanto, as expectativas sobre os investimentos indicam uma leve desaceleração, com um crescimento modesto de apenas 0,5% em 2026, em grande parte impulsionado por iniciativas do setor público.
A inflação, por sua vez, deve se alinhar à meta estabelecida, com projeções de 3,8% de IPCA até 2026. A taxa Selic, embora elevada, pode cair para cerca de 12%, o que ainda representa um desafio em termos de juros reais, que se aproxima dos 9%. Vale ressaltar que a proximidade das eleições tende a trazer volatilidade ao mercado, o que pode inibir temporariamente investimentos privados.
Expectativas para o Mercado de Capitais
Em 2025, o mercado de capitais mostrou um crescimento robusto, com captações em torno de 6% até novembro. A expectativa é que o volume total de captações ultrapasse R$ 700 bilhões, um resultado que se equipara ao de 2024. Entretanto, para 2026, há previsões de uma diminuição entre 10% e 20% nesse montante, devido à incerteza eleitoral que tende a travar o mercado.
Recentemente, o Bradesco realizou sua primeira emissão de 2026, arrecadando US$ 750 milhões com uma taxa atrativa. A demanda por esses papéis se mostrou forte, demonstrando que o cenário ainda é convidativo para os investidores. A América Latina, de forma geral, também tem se destacado nas emissões, e uma possível redução das taxas de juros nos Estados Unidos pode contribuir para esse panorama positivo.
Pela análise do cenário econômico, a expectativa é de que a desaceleração global impacte o Brasil, com a projeção de uma expansão de 4,8% em 2026, comparada a uma alta de 8% em 2025. Para pessoas físicas, a previsão é de uma queda no crescimento, que deve passar de 10% para em torno de 9% neste ano.
O Papel do Banco Central e o Caminho à Frente
O presidente do Bradesco também abordou a importância do Banco Central no contexto atual, enfatizando que é fundamental que as decisões tomadas sejam baseadas em aspectos técnicos, respeitando a Justiça. Ele ressaltou que a discussão sobre a política monetária deve ser feita de forma cautelosa, levando em conta as necessidades do mercado e da sociedade.
O Brasil, portanto, enfrenta um desafiador dilema fiscal. É imperativo que haja uma combinação eficiente de medidas para estabilizar a dívida pública e, ao mesmo tempo, reduzir a taxa de juros. Isso é crucial para evitar que o endividamento se agrave ainda mais. O ideal seria ver a dívida pública em queda, mas estabilizá-la já é um passo significativo. O país precisa, urgentemente, de um crescimento de 3% ao ano para garantir essa estabilização, e a taxa de juros deve ser ajustada para 3%. Essa é uma questão que deve ser prioridade para os próximos anos e para o novo presidente que assumirá o cargo.
