A Mostra Itinerante Cinema de Sala 2026
O cinema a céu aberto tem ganhado novos ares em Mato Grosso do Sul, com o projeto Mostra Itinerante Cinema de Sala 2026. Utilizando uma estrutura que inclui uma tela inflável de grande porte, som de qualidade e cadeiras acessíveis, a iniciativa busca levar o audiovisual a comunidades pantaneiras e de fronteira, aproximando o público das produções locais. O projeto se insere na Política Nacional Aldir Blanc e é inspirado no Cineclube Cinema de Sala, que desde 1998 promove exibições e diálogos sobre cinema.
Com um investimento de R$ 100 mil, a mostra está equipada para transformar espaços públicos em verdadeiras salas de cinema. Até o dia 24 de janeiro, os moradores de Corumbá, Ladário e Puerto Quijarro poderão desfrutar de sessões gratuitas ao ar livre, sempre às 19 horas, com filmes que refletem o cotidiano, a memória e as histórias da região.
A Importância do Apoio Cultural
Para Salim Haqzan, idealizador do projeto, o suporte da política pública foi essencial para expandir as ações cineclubistas e torná-las acessíveis a um maior número de pessoas. Ele destaca: “Esse recurso permitiu estruturar o projeto com qualidade técnica e atenção a cada detalhe. A Aldir Blanc nos proporcionou as condições necessárias para levar o cinema à rua, transformando praças em locais de exibição e oferecendo ao público a oportunidade de se identificar com as histórias e debater sobre elas. O cinema se torna, assim, um espaço de encontro e um direito coletivo”.
O Cinema de Sala, que começou de maneira simples no final dos anos 1990, consolidou-se em 1999 com a gestão de Salim na Casa de Cultura de Jabucarque, em Corumbá. Desde então, o projeto tem se aventurado em diversas comunidades, incluindo escolas, áreas rurais e grupos de educação de jovens e adultos, sempre com foco na qualidade técnica e no diálogo com o público.
Uma Fronteira de Conexões Culturais
A circulação da mostra pelo Pantanal e suas fronteiras reflete uma compreensão profunda da convivência e da troca cultural entre os países da América do Sul. Salim ressalta que a fronteira é uma parte intrínseca do cotidiano dos habitantes locais. “Muitos dos filmes selecionados dialogam com essa realidade, e já estão legendados em espanhol. O cinema se apresenta como um meio de aproximação e intercâmbio cultural”, explica.
A programação inclui dez filmes, abrindo espaço para ficções, documentários e obras experimentais que abordam temas relevantes como a vida no Pantanal, a memória coletiva e as narrativas locais. Após cada exibição, diretores e atores participam de bate-papos com o público, fortalecendo a tradição cineclubista e promovendo um diálogo enriquecedor.
Compromisso com a Acessibilidade
O projeto, idealizado por Salim Haqzan e o produtor executivo Diego Cafola, foi desenvolvido com uma abordagem coletiva que prioriza a acessibilidade e a valorização dos profissionais envolvidos. Em torno de 90% dos filmes exibidos contam com traduções em Libras, enquanto os demais têm legendas. A mostra também disponibiliza fones para aqueles com hipersensibilidade auditiva e engaja profissionais com deficiência em suas atividades, incluindo as ações de divulgação.
Além de promover a cultura, a Mostra Itinerante Cinema de Sala 2026 também tem um impacto econômico positivo, estabelecendo parcerias com restaurantes e empresas de transporte, além de contar com o apoio logístico das prefeituras locais, especialmente em Corumbá e Puerto Quijarro.
A Política Nacional Aldir Blanc e Seu Impacto
A coordenadora do Escritório Estadual do Ministério da Cultura no Mato Grosso do Sul, Carolina Garcia, afirma que a Política Nacional Aldir Blanc representa um marco significativo para o setor cultural no estado. “A Aldir Blanc é um divisor de águas na cultura do Mato Grosso do Sul. Com este investimento, temos a oportunidade de apoiar os trabalhadores da cultura em suas produções e garantir acesso ao público em diversas cidades. Milhares de projetos têm atendido a população em todos os 79 municípios”, destaca.
Ela enfatiza que a política ampliou o acesso aos recursos, permitindo que grupos historicamente marginalizados, como comunidades indígenas, quilombolas, assentamentos rurais e comunidades periféricas, tenham a oportunidade de produzir cultura e preservar sua memória. “Isso promove um forte senso de pertencimento e evidencia como o acesso à cultura pode transformar vidas”, completa.
Recentemente, o Ciclo 1 da PNAB, referente aos repasses de 2023 e 2024, alocou mais de R$ 41 milhões para estados e municípios, com 98% de execução confirmada. Para o Ciclo 2, que está programado para 2025, todos os entes federativos do Mato Grosso do Sul aderiram à política, com expectativa de repasses que podem ultrapassar R$ 150 milhões.
Salim finaliza expressando sua esperança de que a Mostra permita que as pessoas se vejam representadas nas histórias contadas na tela. “O cinema de rua fortalece o vínculo das pessoas com suas narrativas. Quem conhece valoriza. Quem valoriza protege”, conclui.
