Uma Noite de Celebração ao Cinema Brasileiro
Em uma atmosfera de festa e reconhecimento, o Ministério da Cultura organizou, na última terça-feira (20), uma sessão especial do filme O Agente Secreto, no Cine Brasília (DF). O evento, que recebeu a presença de autoridades, membros do Governo Federal e da equipe do filme, marcou um importante momento para o cinema brasileiro e sua projeção internacional.
Pré-selecionado para concorrer ao Oscar 2026, O Agente Secreto vem se destacando no cenário global, acumulando mais de 56 prêmios em festivais ao redor do mundo. Com direção do aclamado cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, o longa conquistou o Globo de Ouro 2025 nas categorias de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura no papel principal. Essa conquista marca um feito histórico: foi a primeira vez em 27 anos que o Brasil venceu essa categoria, repetindo a vitória de Central do Brasil, e, pela primeira vez, o país ganhou dois prêmios na mesma edição da premiação.
Reconhecimento e Importância Cultural
Escolhido para representar o Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2026, um título que no ano passado foi conquistado pelo filme Ainda Estou Aqui, O Agente Secreto não é apenas uma obra cinematográfica, mas também um reflexo do potencial do audiovisual brasileiro. Durante a sessão, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, ressaltou a importância do filme para o fortalecimento da cultura nacional e a projeção do Brasil no cenário mundial. Segundo ela, o governo continua comprometido em apoiar a indústria cinematográfica nacional. “O Brasil tem um audiovisual potente e uma indústria cinematográfica amadurecida, vivendo uma janela de oportunidades imensa. O Ministério da Cultura está aqui para apoiar e patrocinar nossas obras, ampliando a presença do Brasil nas telas do mundo”, afirmou.
A secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Gonzaga, também enfatizou a relevância do filme no contexto das políticas públicas, garantindo que a continuidade dessas iniciativas é vital para o reconhecimento do cinema brasileiro globalmente. “Quando um filme brasileiro é exibido, é o Brasil que se apresenta ao mundo. O Agente Secreto discute temas essenciais como memória e democracia, nos lembrando da importância de estarmos sempre vigilantes”, declarou.
Impacto e Mensagem do Filme
O ator Robério Diógenes, que dá vida ao delegado Euclides no longa, fez questão de destacar o significado simbólico da produção. “O Agente Secreto representa um novo ciclo no cinema brasileiro, um momento de retomada após um período difícil para a cultura e o próprio Ministério da Cultura. Essa obra reflete a força do cinema nordestino e o talento das produções brasileiras”, disse.
Bernardo Lessa, gerente de lançamentos da Vitrine Produções, revelou ainda que o alcance da obra no circuito de exibição é fundamental para consolidar o diálogo com o público, tanto nacional quanto internacional. “Nada do que conquistamos – desde Cannes aos prêmios internacionais – seria possível sem um Ministério da Cultura forte e sem políticas públicas efetivas. O Agente Secreto não é apenas uma produção notável, mas também prova de que o cinema brasileiro é forte em termos de produção e distribuição”, enfatizou.
Patrocínio e Resultados Financeiros
A realização de O Agente Secreto contou com um investimento de R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), além de R$ 750 mil para a fase de comercialização. O FSA se destaca como o principal mecanismo de fomento ao cinema e ao audiovisual no Brasil, apoiando desde o desenvolvimento de roteiros até a distribuição e modernização de salas de cinema.
O filme também obteve resultados significativos no mercado exibidor, com mais de 1,2 milhão de espectadores e uma renda superior a R$ 28 milhões entre a 52ª semana cinematográfica de 2025 e a 2ª semana de 2026. Esse desempenho marca um marco, sendo inédito para produções realizadas fora do eixo Sul-Sudeste, reafirmando a diversidade e a força do cinema brasileiro.
Um Retrato do Brasil dos Anos 1970
Ambientado em 1977, durante a ditadura militar, O Agente Secreto narra a história de Marcelo, interpretado por Wagner Moura, um especialista em tecnologia que retorna ao Recife em busca de um refúgio, mas se vê imerso em um clima de tensão e vigilância. O filme é uma coprodução entre Brasil, França, Holanda e Alemanha, com distribuição nacional pela Vitrine Filmes, e promete ecoar na memória coletiva do país.
