Consultoria Política e Polêmicas
Documentos obtidos pelo GLOBO e pela rádio CBN revelam que Pablo Marçal, um ex-candidato à prefeitura de São Paulo, está oferecendo serviços de consultoria política a aspirantes a cargos eletivos. Os registros na Junta Comercial de São Paulo indicam que ele fundou, no ano passado, duas empresas voltadas para publicidade e treinamento, sendo uma delas a Unipoli, abreviação de “Universidade Política”, que oferece cursos online a preços de R$ 496. A plataforma defende que, lamentavelmente, o tema não recebe a devida atenção nas instituições de ensino e, quando abordado, é feito de maneira ideológica.
Inicialmente pensada para cursos online de curta duração, a proposta foi apresentada em um evento realizado em Alphaville, em novembro passado, intitulado “Como destravar o Brasil”. De acordo com investigações, a consultoria é uma nova iniciativa chamada “Máquina de Votos”, que destaca um logotipo estilizado com a letra “M” e se concentra em ações digitais. Embora Marçal não tenha revelado o nome dos contratantes, afirmou que a lista inclui candidatos a deputado e postes no Executivo.
Durante sua palestra, Marçal expressou sua ambição: “Estou levantando um batalhão há tempos. Nesta eleição, vamos conquistar o parlamento inteiro. Planejamos diversas comemorações em todo o Brasil. Nos estados onde não houver prefeitos do PT, vamos realizar ações impactantes, como a morte de algumas centenas de cabeças de gado, promovendo uma festa de sete dias.”
Parcerias e Estratégias
A página do Instagram de Marçal, ainda pouco divulgada, conta com apenas 25 seguidores, entre eles, o ex-deputado estadual Frederico D’Ávila (PL-SP), conhecido no agronegócio paulista. Em contato, D’Ávila confirmou que há negociações e aguarda a proposta de Marçal. Ele já tentou uma vaga na Câmara, mas não obteve sucesso após um período de desgaste na Assembleia Legislativa, marcado por ofensas a figuras religiosas.
Além de Marçal e D’Ávila, outros nomes associados à consultoria incluem Rodrigo Kherlakian, um filósofo e empreendedor, e Daniel Gonzales, que é conhecido por promover técnicas de neurociência nas escolas e por suas atividades em redes sociais de extrema direita. Dentre os colaboradores, apenas Sabará é reconhecido como sócio-administrador da empresa. Contudo, a assessoria de Marçal confirmou que ele está envolvido na comercialização dos serviços.
De acordo com advogados especializados em Direito Eleitoral, influenciadores têm a permissão de atuar nas eleições, oferecendo serviços de assessoria política e marketing. Entretanto, é crucial que não realizem cobranças por exposição em suas próprias plataformas ou obtenham vantagens por meio de apoio a candidatos. Dessa forma, tanto Marçal quanto Sabará podem prestar consultoria para as eleições de 2026, desde que não realizem propaganda direta de candidatos com os quais têm um acordo comercial.
Repercussões e Desconfianças
A tentativa de Sabará em influenciar as campanhas eleitorais tem gerado desconforto entre os aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nas eleições de 2024, Marçal foi rival de Ricardo Nunes, que contava com apoio oficial do ex-presidente Jair Bolsonaro e do atual governador.
Ao longo da campanha, Marçal se apresentou como um legítimo representante da direita, buscando desestabilizar a candidatura de Nunes. Em declarações controversas, comparou Nunes a um apelido jocoso, o chamando de “goiabinha”. A aproximação entre Flávio Bolsonaro e Marçal em um evento em dezembro do ano passado, onde o influenciador declarou apoio ao senador, levantou dúvidas sobre a possível presença de Tarcísio ao lado de Marçal na campanha.
“Vamos apoiar Flávio Bolsonaro para presidente do Brasil. Chega de PT, chega de Lula. Ele é o Bolsonaro que sempre sonhamos”, disse Marçal, manifestando seu apoio. Além disso, Sabará também buscou se reunir com Tarcísio em janeiro, na esperança de obter apoio explícito de sua parte. Contudo, relatos indicam que o governador ainda não estaria pronto para apoiar publicamente a campanha de Flávio.
Um aliado próximo a Tarcísio expressou preocupação, indicando que Flávio parece estar ampliando sua influência agora, com a intenção de restringi-la posteriormente, confiando que Sabará não terá um papel tão destacado na campanha. Antes de se associar a Marçal, Sabará ocupou a secretaria de Assistência Social na gestão de João Doria e buscou uma candidatura à prefeitura pelo partido Novo, em 2020, além de ter presidido o conselho do Fundo Social do estado.
