Movimentações Políticas em São Paulo
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, do MDB, definiu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mudança do seu domicílio eleitoral para São Paulo, onde deve se candidatar ao Senado. Tebet integrará uma chapa que também deverá contar com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que é cotado para concorrer ao governo do estado. Em um cenário paralelo, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, da Rede, também manifestou interesse em participar da corrida ao Senado, destacando que está “disposta” a se envolver em uma construção eleitoral no estado que a fez retornar à cena política.
Tebet e Lula conversaram sobre as perspectivas eleitorais durante uma viagem ao Panamá, onde participaram do Fórum Econômico Internacional do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF). A ministra precisará transferir seu título eleitoral do Mato Grosso do Sul, seu estado natal e onde já foi senadora, até o dia 4 de abril.
Embora ainda não tenha decidido se mudará de partido, Tebet recebeu um convite para deixar o MDB e se filiar ao PSB. Entretanto, líderes petistas em São Paulo ainda acreditam na possibilidade de sua candidatura pelo MDB, que, no entanto, apoia a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Durante a campanha municipal de 2024, Freitas foi um importante aliado do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, também do MDB, reforçando laços entre os partidos.
Questionada sobre a mudança de domicílio eleitoral, Tebet comentou em um evento em São Paulo: “Deixo o Ministério do Planejamento até o dia 30 de março ou quando o presidente decidir. Ele avalia que sou importante no processo eleitoral e acredita na relevância da minha candidatura.” A ministra ressaltou que teve discussões com Lula apenas sobre sua candidatura ao Senado, destacando que ainda não fechou nenhum acordo definitivo, mas que foi receptiva ao diálogo.
Perspectivas e Desafios para a Candidatura
Antes do carnaval, Tebet tem uma nova reunião agendada com Lula para discutir sua situação política e buscar uma definição sobre sua candidatura. A análise no círculo próximo ao presidente indica que a mudança para São Paulo não é apenas uma estratégia viável, mas também uma resposta ao cenário político complicado que ela enfrenta no Mato Grosso do Sul. O MDB, que faz parte da administração de Eduardo Riedel — que recentemente trocou o PSDB pelo PP e se aproximou do bolsonarismo — tem influenciado a percepção de que a presença de Tebet na chapa ao Senado pode ser problemática.
Após apoiar Lula no segundo turno das eleições de 2022, a imagem de Tebet no Mato Grosso do Sul ficou desgastada, especialmente após Bolsonaro ter obtido uma vitória significativa na região. Muitos deputados estaduais do MDB no estado expressaram preocupação em concorrer com a ministra na mesma chapa.
Em São Paulo, a configuração do palanque de Lula ainda é incerta. Haddad tem se mostrado relutante em se declarar candidato ao governo, embora haja uma expectativa crescente de que ele ceda às solicitações do presidente e à pressão exercida pelo PT. Essa pressão já foi manifestada por outros membros do governo, como o ministro da Educação, Camilo Santana, e a presidente do partido, Gleisi Hoffmann.
“Vejo São Paulo com dois nomes fortes e relevantes que têm potencial para protagonizar um segundo turno: Fernando Haddad e o vice-presidente Geraldo Alckmin”, afirmou Tebet, deixando claro que essa é apenas uma opinião pessoal, sem entrar em detalhes mais específicos sobre a situação.
Marina Silva e o Novo Rumos
Por sua vez, Marina Silva também está se movimentando em busca de definições para seu futuro político e deve se encontrar com Lula para discutir a melhor forma de contribuir para a construção eleitoral em São Paulo. A ministra está considerando deixar a Rede e está em negociações para retornar ao PT. Recentemente, teve um encontro com lideranças do PV, conforme noticiado pelo colunista Lauro Jardim.
