Uma Celebração Cultural e Espiritual
Fundada em 15 de dezembro de 1972, a G.R.E.S. Imperatriz do Forte retorna ao Sambão do Povo em 2026, reafirmando seu compromisso com a cultura, a espiritualidade e a comunidade. Sob a liderança de Daniel Modesto e com a criatividade do carnavalesco Marcus Paulo, a escola do bairro Forte São João traz o enredo “Xirê: Festejo às Raízes”, uma verdadeira homenagem à cultura afro-brasileira que propõe uma leitura decolonial do sagrado e da memória.
A Imperatriz do Forte surgiu da mobilização de moradores e sambistas que se uniram para elaborar o primeiro estatuto da agremiação na década de 1970. O nome foi escolhido por sorteio e faz referência à Imperatriz Leopoldinense, enquanto o adendo “do Forte” reafirma o laço com o bairro de origem. As cores verde e rosa, inspiradas na tradição mangueirense, tornaram-se ícones da identidade visual e simbólica da escola.
Após um longo hiato nos desfiles de carnaval capixabas, a Imperatriz fez seu retorno à avenida em 1999. Em 2002, a escola conquistou seu primeiro título ao empatar em todos os quesitos com a Pega no Samba, marcando sua reintegração ao cenário competitivo. Com a inauguração do Sambão do Povo, a agremiação passou a fazer parte do principal palco do carnaval de Vitória e, em 2009, chegou ao Grupo Especial, consolidando-se entre as grandes escolas da cidade.
Um Trajeto Marcado por Conquistas
Durante os anos, a escola alternou suas participações entre os grupos de desfile, sempre apresentando enredos que dialogam com a fé, a cultura e a história. Entre os temas abordados, destacaram-se homenagens a patrimônios urbanos, como os 100 anos do Parque Moscoso. Em 2017, a Imperatriz obteve o vice-campeonato com “Gran Circo Imperatriz anuncia: Venha se divertir no picadeiro da emoção!”. No ano seguinte, a escola sagrou-se campeã do Grupo de Acesso com “Sou Imperatriz, sou Capixaba com fé”, reforçando a espiritualidade como um eixo central de suas narrativas.
No carnaval de 2024, a escola voltou a brilhar ao conquistar o título do Grupo de Acesso A com “Nascido em berço forte, para sempre um eterno aprendiz”. Já no Grupo Especial, rendeu homenagem a Angola com “Só quem sabe onde é Luanda, saberá lhe dar valor”, aprofundando o diálogo com a ancestralidade africana.
Um Enredo que Transforma o Olhar Sobre a Diáspora Africana
Em 2026, o enredo “Xirê: Festejo às Raízes” propõe uma nova perspectiva sobre a diáspora africana. Em vez de focar apenas na dor e nas violências históricas, a narrativa traz à luz o xirê, a roda e o festejo como representações do sagrado em movimento. O desfile destaca a espiritualidade, os saberes ancestrais e a vitalidade cultural dos povos africanos e afro-brasileiros, apresentando o passado como uma fonte de vida, resistência e reexistência.
Ao levar essa proposta inovadora para o carnaval, a Imperatriz do Forte reafirma sua posição como um espaço de educação cultural, celebração da fé e afirmação identitária. O desfile se estrutura como um convite ao reconhecimento das raízes afro-brasileiras, não apenas como uma herança estática, mas como uma força dinâmica que gira, canta e se renova ao longo do tempo.
Versos que Ecoam a Tradição
Samba-enredo (trecho):
“Chamei os tambores, clamei as aldeias
Quando o sagrado move o mundo e faz girar
Meu ritual tem raiz iorubá
Luz que alimenta minha fé”
