Cortejo de Pré-Carnaval: A Celebração da Cultura Afro-Caipira
No dia 8 de fevereiro, o Baque Caipira, renomado grupo de percussão piracicabano, irá celebrar sua trajetória de 13 anos com uma vibrante homenagem à icônica Dona Odette Martins Teixeira, conhecida como Mama África. Nascida em 1933 na Rua Riachuelo, Mama África, aos seus 92 anos, continua a irradiar sabedoria, vitalidade e uma energia contagiante. O evento, que fará parte do pré-carnaval, tem início às 15 horas na Praça Tibiriçá, no Centro de Piracicaba, e promete atrair todos os públicos com entrada gratuita.
Mama África é uma figura singular que representa a força e a resistência da comunidade negra na cidade. Ela, que se destaca como batuqueira do Batuque de Umbigada, também foi uma das fundadoras do bloco Voz do Morro, que nasceu na Riachuelo e teve seu legado reconhecido por diversas escolas de samba, entre elas a famosa Portela. Além disso, sua trajetória no esporte é notável, com várias conquistas que elevaram o nome de Piracicaba, incluindo sua colocação em primeiro lugar no ranking sul-americano de atletismo na categoria 90+ e o quarto lugar no ranking mundial.
Seu apelido, Mama África, reflete sua presença maternal e ancestral, que remete à rica cultura africana. Ela transcende o papel de atleta e dançadora, tornando-se um patrimônio humano vivo, símbolo da força das mulheres negras, da cultura popular e da dignidade na terceira idade. A vida de Mama África não se resume apenas às vitórias, mas também ao que ela representa: uma história de resistência e celebração da vida.
Conexões com a Natureza e a Cultura Afro-Brasileira
A conexão de Mama África com o sagrado e a natureza é profunda. Em 2009, ela foi convidada para participar do plantio de uma árvore Baobá na Praça da Saudade, uma cerimônia que marcou o Dia da Consciência Negra. O Baobá, conhecido como “Árvore da Vida”, é venerado em várias culturas africanas e considerado um símbolo de resistência e espiritualidade. Hoje, essa árvore, que já possui 16 anos, pode ser vista em frente ao Cemitério da Saudade, próximo à estátua do compositor Cobrinha, reforçando a ligação de Mama África com suas raízes.
Com a benção de Mama África, o Baque Caipira inicia seu cortejo, homenageando a resistência da cultura negra e indígena de Piracicaba. O percurso começa na Praça Tibiriçá, um local que, historicamente, serviu como cemitério para negros escravizados, e segue em direção à Igreja de São Benedito, um patrimônio da comunidade negra, cuja devoção ao Santo Preto é uma tradição na cidade. As ruas que serão percorridas pelo cortejo carregam histórias de vida e resistência, como a de Dona Odette, que em sua infância, foi salva de um ataque de uma cobra jararacuçu por meio da proteção do Santo.
Uma Grande Festa Popular
O Cortejo de pré-carnaval do Baque Caipira é um verdadeiro espetáculo cultural que exalta a herança afro-caipira da região. Com as batidas do maracatu de baque virado, o evento promete unir ritmo, beleza e alegria, formando um corpo percussivo vibrante. Cerca de 40 batuqueiros e batuqueiras estarão presentes, utilizando instrumentos como agbês, ganzás, alfaias, caixas e gonguê. A corte real será composta por diversas personalidades da cultura local, incluindo Pedro Soledade como rei e Ediana do Samba de Lenço como rainha, entre outros.
A concentração terá início às 15h na Praça Tibiriçá, com a saída do cortejo prevista para às 16h e chegada ao Largo dos Pescadores às 18h, onde a festa será encerrada com a discotecagem da DJ Paina. O evento é organizado pelo Baque Caipira, em parceria com o Coletivo de Blocos, e conta com o apoio da Prefeitura de Piracicaba, Piracerva e Escola Morais Barros.
Fundado em 2013, o Baque Caipira se consolidou como um importante espaço de valorização da cultura brasileira, desenvolvendo uma linguagem própria que incorpora a riqueza dos ritmos nordestinos e o sotaque afro-caipira característico das manifestações populares do interior paulista.
