Uma Celebração da Cultura Afro-Brasileira
No último dia de desfiles do Grupo Especial do Carnaval de Vitória, a Imperatriz do Forte trouxe à avenida um espetáculo que reafirma a riqueza da cultura afro-brasileira. Com o enredo intitulado “Xirê: Festejo às Raízes”, a escola fez sua apresentação na madrugada de sábado (7), destacando a importância da ancestralidade africana e a força da identidade brasileira no Sambão do Povo.
Uma das principais características do desfile foi a valorização das narrativas que surgem a partir de uma perspectiva decolonial. Ao invés de se deter nas dores e violências que marcaram a chegada dos africanos ao Brasil, a agremiação buscou iluminar espaços de memória, saberes ancestrais e resistência. O termo “xirê”, que significa roda em iorubá, foi central para a proposta, simbolizando uma expressão sagrada da cultura africana presente no Brasil.
Embora o início do desfile tenha sido marcado por contratempos – o carro abre-alas sofreu danos devido às chuvas da semana anterior – a escola superou os desafios e conseguiu completar sua apresentação dentro do cronograma. O carnavalesco Marcus Paulo, responsável pela criação do enredo, conseguiu transmitir energia e emoção, revitalizando a história da cultura brasileira sob uma ótica inovadora.
Valorização das Raízes Afro-Brasileiras
A Imperatriz do Forte não apenas celebrou a cultura afro, mas também enfatizou a educação cultural e a valorização das raízes afro-brasileiras. O desfile se tornou um espaço de celebração da vida, representando um ato de reexistência e ressignificação do passado. Tal abordagem reforça a ideia de que a cultura preta deve ser reconhecida como uma força viva e vibrante no Brasil contemporâneo.
A escola, que foi fundada em 1972 no bairro Forte São João, em Vitória, fez sua reestreia no Grupo Especial após um período de alternância entre as divisões do samba capixaba. Com uma apresentação que contrasta com seu passado, a Imperatriz do Forte mostrou que está pronta para fazer história, reafirmando seu compromisso com a tradição e a inovação ao mesmo tempo.
O desfile foi um convite a todos os presentes para refletirem sobre a importância da cultura afro-brasileira e o papel dela na formação da identidade nacional. A escolha do tema e a forma como foi abordado mostram como o Carnaval pode ser um espaço de expressão e resistência, onde o passado é ressignificado em prol da valorização do presente.
Ao final da noite, a Imperatriz do Forte deixou sua marca no coração dos espectadores, reafirmando que o carnaval vai além da festa: é um meio de celebração das identidades e histórias que compõem o Brasil, um lugar diverso e plural.
