Críticas ao PT e ao evento do presidente Lula
O vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, não poupou críticas à formação de uma “chapa puro-sangue” do PT para as eleições ao Senado na Bahia. Durante um evento de carnaval em Salvador, o ex-prefeito da capital baiana ironizou o aniversário do partido, que, segundo ele, foi um “fracasso”. Neto insinuou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou o estado desapontado, uma vez que a mobilização em torno de sua visita não atendeu suas expectativas.
“Eu imagino que o presidente Lula não saiu muito feliz dessa sua passagem aqui no nosso Estado. Ele se deparou com um público limitado, tanto no dia de ontem (sexta-feira) quanto no dia de hoje (sábado). Com toda a estrutura do governo do Estado e a capacidade de mobilização, não receberam o presidente como ele esperava”, disse ACM Neto, referindo-se à celebração do partido.
Críticas à abordagem do PT
Neto também levantou preocupações sobre a saída do senador Ângelo Coronel do PSD, que ele considera uma traição ao parlamentar. Segundo o ex-prefeito, a decisão de excluir Coronel ilustra os problemas internos do PT. “Se alguém está vivendo problemas de traição, são eles (base governista). O senador Ângelo Coronel, que tinha o direito legítimo de ser candidato à reeleição na chapa governista, foi simplesmente colocado para fora”, afirmou Neto, critério pelo qual ele critica a estratégia do PT em montar a chapa majoritária.
O senador Ângelo Coronel, em uma declaração ao GLOBO, confirmou sua saída do PSD, a qual foi motivada pela sua destituição das funções partidárias. Ele afirmou que a mudança ainda não ocorreu, mas já está estudando qual partido será mais adequado para sua candidatura. “Estou procurando um novo partido. Minha saída do PSD é com o coração dilacerado”, disse Coronel, que foi orientado a buscar outra legenda para sua candidatura.
Super chapa dos vencedores
A situação política na Bahia está agitada, especialmente em torno da chamada “super chapa dos vencedores”, proposta pelo PT. Este arranjo político pretende garantir a reeleição de Jerônimo ao governo, além de garantir que as duas cadeiras do Senado sejam ocupadas por petistas. O objetivo é que o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, sejam os candidatos do partido.
Essa configuração exclui Coronel, que tem buscado espaço para renovar seu mandato, ampliando os atritos entre o PT e o PSD dentro da base governista. Durante uma comemoração dos 46 anos do PT, realizada em Salvador, o presidente estadual do PSD, Otto Alencar, reiterou seu apoio à pré-candidatura de Lula à reeleição, apesar da situação tensa com Coronel e outros membros do partido.
O descontentamento com a movimentação política do PT tem gerado um clima de incerteza e desconfiança entre os aliados. O cenário atual, envolto em disputas internas, pode moldar as próximas eleições na Bahia, refletindo a fragilidade das alianças políticas que sustentam a base governista.
