Movimento BDS Exige Ação Contra Práticas de Ocupação
O Movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) fez um apelo à sociedade para pressionar a empresa Amaggi, uma das maiores produtoras de soja do Brasil, a suspender a aquisição de fertilizantes provenientes de áreas de elevado risco ambiental, localizadas em zonas ocupadas por Israel na Palestina. A pressão surge em meio a denúncias sobre a ligação entre a Amaggi e a empresa israelense ICL, que é conhecida por suas práticas controversas de extração em terras palestinas.
A Amaggi recebeu insumos da ICL, uma companhia que promove a chamada sustentabilidade através de propagandas que afirmam contribuir para a solução da fome no mundo. Entretanto, esse compromisso é questionável, dado que a ICL é acusada de extrair recursos minerais de áreas de ocupação ilegal, o que desafia o direito internacional.
Provas da Relação entre Amaggi e ICL
Investigação realizada pela Repórter Brasil revelou que uma embarcação que partiu do Porto de Ashdod, em Israel, desembarcou no Porto de Itacoatiara, no Amazonas, carregando 34 mil toneladas de cloreto de potássio e 11,3 mil toneladas de superfosfato simples, essenciais para a fabricação de fertilizantes. Este foi apenas um dos vários carregamentos documentados entre as duas empresas, segundo dados alfandegários.
A ICL defende seu posicionamento, afirmando que suas operações ocorrem “inteiramente dentro das fronteiras israelenses, em conformidade com regulamentos aplicáveis”. No entanto, as ocupações israelenses na Palestina desde 1967 são amplamente consideradas ilegais por organizações internacionais, incluindo a ONU.
Impactos Ambientais e Sociais das Operações da ICL
Além de suas atividades em terras palestinas, a ICL também atua em áreas do deserto de Naqab, afetando a comunidade beduína local. A abertura de uma nova mina de fosfato nas proximidades de Arad poderia impactar cerca de 100 mil moradores, incluindo 15 mil beduínos. Em 2017, a ICL Rotem, uma de suas subsidiárias, foi responsável por um vazamento significativo de resíduos tóxicos que afetou o rio Ashalim, causando danos ambientais severos.
A ICL não se limita a questões ambientais; a empresa também é acusada de fornecer fósforo branco para armamentos utilizados por Israel em suas operações militares contra civis palestinos. Tais ações têm sido amplamente denunciadas como crimes de guerra, revelando a complexa interseção entre negócios e conflitos.
Desafios na Relação Brasil-Israel e o Papel do Agronegócio
A relação entre Brasil e Israel é marcada por interações nas áreas militar e econômica, com o agronegócio brasileiro assumindo um papel preponderante no financiamento das operações israelenses. Dados recentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que as transações entre os dois países somam mais de US$1,2 bilhão, embora isso represente uma redução de 14,9% em relação ao ano anterior.
Os produtos agrícolas brasileiros, incluindo soja e milho, representam uma parte significativa das exportações para Israel, enquanto o agronegócio se beneficia de subsídios governamentais e isenções fiscais, aumentando ainda mais sua influência política.
A Luta pela Justiça Climática e pela Libertação da Palestina
A luta pela libertação da Palestina é, segundo muitos analistas, uma extensão das batalhas por justiça social e climática. O agronegócio brasileiro, especialmente a Amaggi, tem sido criticado por seu papel na degradação ambiental e no apoio ao colonialismo israelense. Com mais de 600 mil pessoas em Gaza em situação de fome e centenas de crianças morrendo de desnutrição, a crescente disparidade entre a prosperidade do setor agrícola brasileiro e a miséria enfrentada pelos palestinos se torna alarmante.
Além das questões humanitárias, a situação atual evidencia a necessidade de uma reavaliação crítica das políticas públicas que favorecem o agronegócio em detrimento de setores essenciais como saúde e educação. Enquanto o governo brasileiro continua a facilitar a expansão desse setor, as lutas pela nacionalização das terras e pela expropriação da burguesia se entrelaçam com a causa palestina, demonstrando que a luta por justiça é uma pauta global.
