Governo Reforça a Segurança nas Terras Indígenas do Maranhão
AMARANTE DO MARANHÃO – O Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou o envio de tropas da Força Nacional para a Terra Indígena Governador, localizada em Amarante do Maranhão, no sul do estado. Essa decisão foi formalizada no Diário Oficial da União na última terça-feira (10) e surge em virtude do crescimento dos conflitos na área.
Conforme informações do ministério, os agentes já estão atuando em conjunto com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e outros órgãos competentes. O número exato de militares destacados não foi revelado por razões de segurança. A medida é uma resposta a um pedido dos Ministérios dos Povos Indígenas e Público Federal (MPF), que também foi encaminhado ao Governo do Maranhão e à Funai. Há aproximadamente duas semanas, o governador Carlos Brandão e a ministra Sônia Guajajara haviam concordado com a ação, que aguardava apenas a autorização formal do governo federal.
Violência Aumenta na Região
O MPF ressaltou que a Terra Indígena Governador, situada a cerca de 683 km de São Luís, tem enfrentado um aumento alarmante da violência, especialmente devido à extração ilegal de madeira dentro do território. Relatórios recentes indicam um agravamento dos conflitos entre os indígenas e os invasores, com registros preocupantes de incidentes, como homicídios, ameaças e ataques armados.
Entre os eventos mais graves, um homicídio foi registrado na área em 2025, além de ameaças a moradores e ataques armados a veículos. Um caso particularmente chocante ocorreu em agosto do ano passado, quando um indígena foi brutalmente espancado durante a noite e teve água quente derramada em seu corpo por três homens não identificados.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) revelou que a tensão começou em julho de 2025, quando líderes indígenas flagraram madeireiros retirando estacas da Terra Indígena. Desde então, aumentaram significativamente as denúncias de invasões. A entidade também apontou que os invasores estariam utilizando drones à noite para intimidar a comunidade.
Conflitos e Respostas
Em um incidente ocorrido três dias após a agressão ao indígena, um confronto entre membros da etnia Pyhcop Catiji Gavião e madeireiros armados resultou na morte de um homem que tentava invadir a aldeia Governador. Este homem foi identificado como invasor e havia a intenção de atacar um morador local.
Para lidar com a escalada da violência, o MPF sugeriu ao Ministério da Justiça o envio das mesmas tropas que atuam na Terra Indígena Arariboia, a cerca de 40 km da Governador, onde estão sendo realizadas operações de retirada de invasores. Contudo, o ministério afirmou que o efetivo enviado para a Terra Indígena Governador será diferente e que as ações ocorrerão de forma independente, visando atender às especificidades da região.
