Continente Asiático: O Novo Horizonte do Agronegócio Brasileiro
A Ásia tem se consolidado, nos últimos anos, como o continente que mais favoreceu a expansão do agronegócio brasileiro. Desde o início de 2023, o Brasil abriu 228 novos mercados na região, representando impressionantes 42,6% do total de 535 novas oportunidades. Esses novos acessos incluem uma vasta gama de produtos, como carnes, pescado e frutas. Com a próxima visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia e à Coreia do Sul, agendada para a próxima terça-feira (17), a intenção é fortalecer a presença do Brasil na região e ampliar o acesso a produtos do agronegócio nacional.
Durante as reuniões com o governo indiano, destaca-se a importância da abertura de mercados para a exportação do feijão guandu brasileiro, além da redução das elevadas tarifas de importação aplicadas ao frango, que atualmente superam os 100% para alguns cortes.
Informações da Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura revelam que, em 2023, o feijão se posicionou em terceiro lugar entre os produtos que conquistaram novos acessos na Ásia, somando 11 novas aberturas de mercado. Um especialista em agronegócio, que optou por não se identificar, ressalta: “O mercado asiático não só é o principal destino das exportações brasileiras, mas também tem demonstrado um dinamismo notável”.
Ele acrescenta que “o crescimento das exportações para outras regiões, como o Sudeste Asiático – que inclui países como Indonésia, Tailândia e Filipinas – assim como a Índia, que ainda enfrenta barreiras comerciais, e a Coreia do Sul, que oferece preços acima da média mundial, são sinais positivos para o futuro do agro brasileiro”.
Oportunidades na Índia e na Coreia do Sul
Em entrevista ao programa CNN Agro, o pesquisador Felippe Serigato destaca que, apesar do movimento de abertura de mercados ter ocorrido ao longo do tempo, “não houve diminuição do ímpeto em 2023, mesmo com a ameaça de um aumento do protecionismo global”.
No que diz respeito à Índia, já foram autorizados cinco mercados para produtos cítricos, além de dois para açaí e outros dois para pescado entre 2023 e 2026. Essa variedade de novos mercados demonstra o potencial de crescimento das exportações brasileiras na região, que busca diversificação e redução de dependência de mercados tradicionais.
Negociações para Carne Bovina com a Coreia do Sul
Após a visita à Índia, Lula seguirá para a Coreia do Sul, onde o foco será reiniciar formalmente as negociações para a exportação de carne bovina brasileira. Essas discussões haviam sido iniciadas anteriormente, mas não evoluíram por questões políticas internas no país asiático.
A Coreia do Sul é um dos maiores importadores de carne bovina na Ásia, com seu abastecimento atualmente dominado pelos Estados Unidos e Austrália. Nos últimos anos, o país asiático começou a permitir a importação de diversos produtos brasileiros, como material genético de aves e amêndoa de macaúba, além de óleos de aves e suínos.
Atualmente, no ranking de países que mais abriram mercados para o agronegócio brasileiro desde 2023, a Coreia do Sul e o Japão estão em primeiro lugar, cada um com 18 mercados abertos. Em seguida, aparecem a Rússia com 16 mercados e, empatados, Armênia, Índia e Quirguistão, com 14. Dessa forma, as mais de cem novas aberturas de mercado ligadas à pecuária e à piscicultura comprovam o potencial do Brasil de diversificar seus destinos e a crescente importância da Ásia nas exportações do agronegócio nacional.
As movimentações no cenário asiático enfatizam a estratégia do Brasil em diversificar suas exportações e a relevância desse continente para o futuro da agroindústria brasileira.
