Desfile Polêmico e Consequências
A Acadêmicos de Niterói, que no último Carnaval prestou uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enfrentou um revés significativo ao ser rebaixada do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Em decorrência desta decisão, a agremiação se prepara para disputar a Série Ouro em 2027, correspondente ao Grupo de Acesso. A escola anunciou que recorreu à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro para garantir seus direitos durante o processo de apuração da votação.
O desfile, que abriu a primeira noite de apresentações na emblemática Marquês de Sapucaí, destacou a trajetória política de Lula, trazendo à tona episódios que se estendem desde sua infância no agreste pernambucano até seu terceiro mandato como presidente, com uma apresentação que durou impressionantes 79 minutos.
Enredo Crítico e Reflexão Nacional
A performance da Acadêmicos não se esquivou de críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O destaque foi a comissão de frente, que incluiu um personagem caracterizado como o palhaço “Bozo”, realizando gestos que remetiam ao ex-chefe do Executivo. Além disso, alegorias do desfile associaram Bolsonaro à pandemia de covid-19, fazendo referência às cerca de 700 mil mortes registradas no Brasil.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expressou sua indignação em relação à abordagem da escola, e parlamentares de direita questionaram especificamente uma ala do desfile que representava a “família tradicional” dentro de uma lata estilizada, denominada “neoconservadores em conserva”. A Acadêmicos justificou sua proposta artística como uma forma de retratar diversos grupos identificados com a ideologia neoconservadora, incluindo setores do agronegócio, defensores da ditadura militar e segmentos religiosos.
Recursos Públicos e Imbróglio Jurídico
Antes de seu desfile, a escola recebeu um repasse de R$ 1 milhão, proveniente de um termo de cooperação firmado entre o Ministério da Cultura e a Embratur. Apesar de técnicos do Tribunal de Contas da União terem recomendado a suspensão deste repasse, o relator do caso acabou rejeitando a solicitação.
Adicionalmente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revisou uma ação apresentada pelo Partido Novo, que acusava a escola de realizar propaganda eleitoral antecipada. A ministra Cármen Lúcia, presidente da Corte, negou o pedido de liminar, ressaltando que o carnaval não deve ser utilizado como um meio de ilicitude eleitoral.
A Justiça Federal do Distrito Federal também não acolheu uma ação popular impetrada pela senadora Damares Alves, o que intensificou ainda mais o debate sobre a legitimidade das manifestações realizadas durante o desfile.
Próximos Passos e a Luta pelo Retorno
Além das controvérsias políticas que marcaram seu desfile, a Imperatriz Leopoldinense alegou ter sofrido prejuízos operacionais em decorrência das apresentações. A Acadêmicos, por sua vez, contestou a apuração dos resultados e já protocolou um recurso na Liga, na tentativa de modificar a decisão de rebaixamento.
Com a confirmação do rebaixamento, a escola agora se prepara para a Série Ouro em 2027, buscando uma oportunidade de retorno ao prestigiado Grupo Especial. O futuro da Acadêmicos de Niterói, portanto, depende de sua capacidade de superar os desafios e reverter a atual situação.
