Número Recorde de Reclamações
As queixas contra planos de saúde e operadoras de saúde alcançaram um patamar alarmante, o mais elevado em 12 anos. Dados da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacom) revelam que em 2025 foram registradas quase 35 mil reclamações, uma média surpreendente de quatro queixas a cada hora. Entre os principais problemas enfrentados pelos consumidores estão as negativas de cobertura e os atrasos no reembolso, questões que têm gerado angústia e frustração entre os usuários.
Entre as histórias que ilustram esse cenário, destaca-se a da dentista Danielle Santos, que enfrenta uma batalha de meses para conseguir a autorização de uma cirurgia necessária para a remoção do útero. “Antes, a minha questão era só a parte hemorrágica, da hemorragia. Agora, não. Agora eu já estou evoluindo com dor”, relata Danielle, que se vê obrigada a buscar alternativas, incluindo orçamentos que variam de R$ 10 mil a R$ 45 mil, uma quantia que foge da sua realidade.
O aumento das reclamações é um indicativo claro de que a insatisfação com os serviços de saúde se intensificou. Em 95% dos casos, os consumidores tentaram dialogar diretamente com as operadoras para resolver suas pendências. Os dados da Senacom também apontam que 76% das queixas foram solucionadas rapidamente, o que, embora positivo, não diminui a preocupação com a quantidade de situações que ainda sobrevivem sem resposta.
Direitos do Consumidor e Ações da ANS
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão responsável pela fiscalização do setor, reforça a importância de os consumidores exercitarem seus direitos. “Dependendo da gravidade das irregularidades que a empresa venha a praticar, isso pode culminar no cancelamento ou suspensão da venda do plano”, alerta Wadih Damous, diretor-presidente da ANS. Essa informação ressalta a necessidade de um acompanhamento mais rigoroso dos serviços prestados e das obrigações das operadoras.
Além de Danielle, a protetora de animais Amanda Daiha também expressa sua indignação em relação ao tratamento recebido por parte do seu plano de saúde. Apesar de ter buscado ajuda diversas vezes, Amanda não obteve as respostas necessárias e se sentiu desvalorizada. “Eles tratam a gente no telefone super mal. Só mais um que está ligando”, lamenta. Com condições de saúde que incluem inflamações crônicas e pedras nos rins, ela relatou ainda que os procedimentos cirúrgicos que poderiam melhorar sua qualidade de vida não foram autorizados. “Eles começaram a impedir. ‘Não, não pode fazer agora’”, desabafa Amanda.
Busca por Comunicação Mais Eficiente
A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que representa as principais operadoras de saúde do Brasil, reconhece a necessidade de uma comunicação mais eficaz com os beneficiários. Bruno Sobral, diretor-executivo da entidade, afirma que a chave para resolver os problemas atuais passa pela interação direta entre os beneficiários e as operadoras. “O que acho é que o setor tem buscado mais essa comunicação com o beneficiário. A gente faz isso através do sistema de notificação da ANS. Mas, cada vez mais, é importante que os beneficiários entrem em contato com as operadoras, pois muitas vezes, é a operadora a entidade que pode resolver os problemas” ressalta.
Com o cenário atual, os consumidores se veem em uma luta constante para garantir acesso a tratamentos e procedimentos necessários. A insatisfação crescente é um indicativo de que, para muitos, os planos de saúde, ao invés de serem uma solução, tornam-se fonte de frustrações e dificuldades. Assim, a necessidade de um atendimento de qualidade e respeito aos direitos dos usuários se torna cada vez mais evidente.
