Flávio Bolsonaro Tentando Mudar a Imagem Pública
Após a repercussão negativa de suas danças ao som do funk “Zero Um, Novo Capitão” em eventos na Paraíba e Rondônia, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem se mostrado receptivo a feedbacks sobre sua imagem política. Nos últimos dias, ele se dedicou a perguntar a aliados e amigos o que pensavam sobre suas performances. Entre eles, o deputado federal Gustavo Gayer (PL) fez uma brincadeira, chamando Flávio de “orangotango” no palco. No entanto, a mensagem que ficou foi de que esses vídeos poderiam transmitir uma imagem de imaturidade, algo indesejável para um potencial presidenciável. Flávio, atento a essas observações, prometeu não repetir tais ações.
Na sua busca por melhorar a percepção pública e reduzir a rejeição associada ao sobrenome Bolsonaro, o senador tem se mostrado mais disposto a ouvir os conselhos de profissionais de comunicação. Essa mudança de postura contrasta com o estilo mais improvisado de seu pai, Jair Bolsonaro. A recente escolha de Flávio em adotar uma camisa com a frase “pai de menina” e sua decisão de se manter em silêncio sobre o caso Master indicam um planejamento mais estratégico. Sua dança no palco, por exemplo, foi uma tentativa de emular movimentos de líderes como o presidente argentino Javier Milei e o ex-presidente dos EUA Donald Trump, mas sem um debate prévio dentro da sua equipe.
Novos Acordos e Estratégias de Comunicação
Flávio Bolsonaro, em busca de um fortalecimento na sua comunicação, fechou um acordo com um desafeto de seu irmão Carlos para coordenar sua estratégia digital para 2026. O novo aliado será Marcos Carvalho, ex-coordenador de redes sociais da campanha de Jair Bolsonaro, que teve um rompimento conturbado com Carlos. A relação entre os dois foi marcada por desavenças, especialmente após Carvalho ganhar destaque como o “marqueteiro digital” da campanha do pai. Carlos criticar a atenção dada a Carvalho é um exemplo das rivalidades internas na família Bolsonaro.
As investigações do Congresso também trouxeram à tona o papel de Carvalho, que depôs na CPI das Fake News em 2020, negando envolvimento em disparos em massa de mensagens durante a campanha de Jair Bolsonaro. Desde então, ele se distanciou da família, até declarando voto em Lula e ajudando campanhas do PT, como a de Jerônimo Rodrigues na Bahia.
A chegada de Marcos Carvalho à equipe de Flávio coincide com novos investimentos que o PL planeja destinar à comunicação digital. O fundo eleitoral deve crescer substancialmente, aumentando o potencial de gastos em campanhas digitais. Em 2018, a campanha de Jair Bolsonaro gastou cerca de R$ 650 mil com a AM4, agência de Carvalho. Para 2022, já se gastou R$ 29 milhões em impulsionamento de conteúdo nas redes sociais, com uma previsão ainda maior para a próxima eleição, estimando-se que o PL chegue a quase R$ 900 milhões.
Busca por Talentos no Marketing Político
Com um orçamento robusto para a campanha, Flávio Bolsonaro tem sonhado alto e busca grandes nomes do marketing político. Um dos nomes cogitados foi Paulo Vasconcelos, responsável pela estratégia de Cláudio Castro no Rio em 2022, mas ele está atrelado a um contrato com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Por outro lado, Renato Pereira, ex-marqueteiro de figuras como Eduardo Paes e Sérgio Cabral, é considerado para integrar a equipe. Atualmente, Pereira está envolvido na campanha de Romeu Zema (Novo) e tem sido sondado por outros políticos.
A relação entre Flávio e Carlos Bolsonaro permanece uma preocupação para quem se junta à sua equipe. Carlos, que já havia afastado Marcos Carvalho do círculo de seu pai em 2018, tem se mostrado crítico em relação a profissionais de marketing, enfatizando sua abordagem pessoal na comunicação. Isso se refletiu em suas postagens e declarações durante a campanha de 2022, onde expressou descontentamento com a atuação de coordenadores de comunicação.
Reflexões Finais sobre o Cenário Político
O ambiente político em torno dos Bolsonaro continua a ser marcado por disputas internas e tentativas de melhorar a imagem pública. O próximo ciclo eleitoral promete ser desafiador, com Flávio buscando equilibrar o legado do pai e a sua própria identidade política. Com a nova estratégia de comunicação e o apoio de profissionais do setor, Flávio Bolsonaro tenta criar uma narrativa mais sólida e menos suscetível a críticas, enquanto navega pelas complexidades do cenário político atual.
