Nova fase do Comitê de Cultura do Maranhão amplia ações formativas
Após ser reconhecido pelo Ministério da Cultura durante a reunião nacional do Programa Nacional dos Comitês de Cultura em Brasília, o Comitê de Cultura do Maranhão inicia uma nova etapa que visa fortalecer as políticas culturais no estado. Nos próximos seis meses, serão realizadas 40 novas ações formativas, ampliando o alcance para mais municípios e reforçando o acesso dos fazedores de cultura às políticas públicas em diferentes regiões.
A coordenadora do Comitê, Nadir Cruz, destaca que essa fase pretende consolidar o trabalho dos últimos dois anos e intensificar o diálogo com municípios e comunidades tradicionais. “Vamos incluir informações sobre os conselhos municipais, essenciais para implementar o plano em cada localidade, contribuindo diretamente para as políticas públicas”, afirma em entrevista ao programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor.
Formações e expansão territorial para fortalecer a cultura local
O Comitê seguirá atuando nos 22 municípios já atendidos e planeja alcançar pelo menos mais dois até dezembro. As cerca de 40 ações formativas previstas devem impactar diretamente cerca de cem participantes, além das atividades de mobilização e comunicação que alcançarão diversas comunidades.
As formações abordarão temas relevantes, como elaboração de projetos culturais, construção de portfólios e acesso à Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), além de orientações sobre outros editais públicos importantes para os fazedores de cultura.
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Uma das frentes de trabalho será o incentivo à criação e fortalecimento dos Conselhos Municipais de Cultura. “Estamos buscando parceria com gestores municipais para unir forças e garantir que fazedores de cultura, comunidades indígenas, de terreiro e tradicionais tenham acesso e conhecimento dos seus direitos”, explica Nadir.
Levar conhecimento e fortalecer a cultura nas regiões mais distantes
Um dos maiores desafios do Comitê é garantir que as políticas culturais cheguem até quem está longe dos grandes centros urbanos e muitas vezes não reconhece sua própria importância cultural. “O pescador que tece redes, o artesão que faz cofos ou gaiolas, o decorador — tudo isso é cultura. Precisamos conscientizar essas pessoas sobre seus direitos e o acesso às políticas públicas”, defende a coordenadora.
Além das distâncias físicas, o trabalho exige diálogo constante com gestores municipais, lideranças comunitárias e instituições de ensino para estabelecer redes de mobilização que alcancem comunidades indígenas, quilombolas, ciganas, povos de terreiro e outros grupos tradicionais.
“Eu começo conversando diretamente com o gestor para explicar o papel do Comitê. Depois, levamos toda a equipe. Quando o fazedor de cultura compreende essa mensagem, ele repassa para outros, formando uma verdadeira teia de conhecimento”, relata Nadir ao programa.
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Formação para autonomia no acesso a editais e políticas públicas
O Comitê não elabora projetos para os fazedores de cultura, mas oferece capacitação para que eles aprendam a acessar editais e participar das políticas públicas. “Muitas vezes, as pessoas deixam de participar por não dominarem essa arte. Nosso papel é formar para que elas consigam realizar isso por conta própria”, explica Nadir.
Além das ações itinerantes, o Comitê mantém atendimento presencial semanal em São Luís, onde oferece orientação técnica, esclarece dúvidas e apoia instituições culturais que enfrentam dificuldades com documentação ou acesso a financiamentos.
Defesa de políticas culturais permanentes no Maranhão
Embora o Programa Nacional dos Comitês de Cultura esteja na fase final, Nadir Cruz defende a continuidade do trabalho no Maranhão por meio de uma política pública estadual. “Seria muito importante criar um comitê estadual para mobilizar mais fazedores de cultura e fortalecer o trabalho nos municípios”, sugere.
Para a coordenadora, essa continuidade ampliaria a formação dos agentes culturais, fortaleceria as redes de mobilização e garantiria que mais trabalhadores da cultura tenham acesso às políticas públicas. “Cultura é educação. Precisamos valorizar os fazedores de cultura, pois eles mantêm viva nossa memória e nossas tradições”, conclui.
