Hip-hop em Brasília: palco para fortalecimento cultural e político
Do cenário das ruas onde o hip-hop nasceu como expressão de resistência, até as mesas de debate sobre políticas públicas, o movimento segue ampliando seu espaço no Brasil. Nos dias 11 e 12 de agosto, Brasília será palco do 1º Seminário Nacional da Corporação casas de cultura Hip Hop do Brasil (C3H2B), que reunirá representantes dos 26 estados e do Distrito Federal para discutir os rumos dessa cultura.
O Maranhão estará presente através dos rappers e ativistas Preto Nando e Negro Lamar, reconhecidos líderes do hip-hop local. Além de participarem dos debates, eles apresentarão o trabalho do Clã Nordestino, grupo que projetou o rap produzido em São Luís para o Brasil e até para a Europa. Essa apresentação integra a programação cultural do seminário, que acontece na Casa GOG.
Construindo políticas públicas a partir da periferia
O seminário celebra os 53 anos da cultura hip-hop e tem como objetivo consolidar uma agenda nacional para as Casas de Cultura Hip Hop espalhadas pelo país. A proposta é transformar a experiência acumulada nas periferias em políticas públicas capazes de fortalecer a cultura como ferramenta de inclusão social e cidadania.
Durante os dois dias, artistas, pesquisadores, produtores culturais e lideranças comunitárias debaterão temas como racismo estrutural, juventude, direitos humanos, emergência climática, sustentabilidade nos territórios periféricos e o fortalecimento dos cinco elementos da cultura hip-hop.
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Para Preto Nando, o encontro vai além de palestras. Ele vê o seminário como um espaço de escuta e troca, onde representantes de diferentes regiões poderão compartilhar as realidades vividas em seus territórios e colaborar na formulação de propostas nacionais. “O seminário será um espaço de diálogo aberto. Todos poderão apresentar a realidade de seus territórios, discutir necessidades e construir propostas para fortalecer o hip-hop em todo o país”, destaca.
Fortalecimento das Casas de Cultura e a agenda maranhense
A participação dos representantes maranhenses busca também fortalecer a Casa de Cultura Coisa Nossa Records, localizada no bairro Alemanha, em São Luís. O espaço tem foco em ações culturais e educacionais voltadas à juventude.
“Nossa expectativa é fortalecer as Casas de Cultura existentes nos estados e municípios, estabelecer interlocução com os ministérios e trazer para o Maranhão políticas públicas que ampliem o acesso da juventude à cultura e à educação”, afirma Preto Nando.
Carta de Brasília e perspectivas para o movimento
Antes da abertura oficial do seminário, entre os dias 8 e 10 de agosto, cerca de 30 lideranças das Casas de Cultura Hip Hop participarão de grupos de trabalho dedicados à estruturação da rede nacional, sustentabilidade, educação e enfrentamento da emergência climática nas periferias.
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Esses encontros resultarão na Carta de Brasília da C3H2B, documento que reunirá as principais demandas do movimento e será encaminhado ao Governo Federal. Entre as prioridades está o fortalecimento da Escola Nacional da Cultura Hip-Hop, programa que busca incorporar os elementos da cultura hip-hop em escolas e comunidades como ferramenta de educação, combate à evasão escolar e transformação social.
Na programação do seminário, no dia 11, está prevista a palestra “Os 53 anos do Hip-Hop: Da Resistência nas Ruas à Política de Estado”, que traça a trajetória do movimento desde seu surgimento no Bronx, nos Estados Unidos, até seu reconhecimento como política pública no Brasil.
O encerramento, no dia 12, será marcado pelo Festival C3H2B, aberto ao público, com apresentações de rap, DJs, batalhas e rodas de breaking (cyphers), além de intervenções de grafite ao vivo na área externa da Casa GOG.
