Nova rota de cabos submarinos no Nordeste
A EllaLink, operadora responsável pelo cabo submarino que conecta diretamente a América Latina à Europa, instalou uma unidade de derivação no fundo do oceano com o objetivo de expandir sua rede até São Luís, no Maranhão. Outro equipamento similar foi posicionado para futura ligação com Salinópolis, no Pará. Juntos, os dois ramais terão capacidade inicial combinada de 17 terabits por segundo (Tbps), o que equivale a cerca de 34 mil conexões residenciais simultâneas de banda larga de 500 Mbps.
Essa operação insere o Maranhão na rota de expansão da infraestrutura de cabos submarinos internacionais no Nordeste, até então concentrada principalmente em Fortaleza. A capital cearense abriga 16 cabos submarinos, segundo dados da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), consolidando-se como um ponto estratégico para conexões internacionais de telecomunicações no Brasil.
Conexões estratégicas e desafios regionais
O ramal maranhense terá um ponto próprio de chegada em São Luís, com ligação de alta capacidade para Fortaleza, Caiena, na Guiana Francesa, e para a rede internacional da EllaLink. Historicamente, Maranhão e Pará dependem de longas rotas terrestres para acessar pontos brasileiros de comunicação internacional, o que limita a agilidade e qualidade da conexão.
Embora as estruturas já estejam instaladas no oceano, Maranhão e Pará ainda não estão conectados diretamente. Esses equipamentos foram preparados para receber os ramais que serão estendidos posteriormente até as cidades, passando por etapas financeiras e técnicas que ainda precisam ser concluídas.
Fortaleza como hub principal e a chegada de São Luís
A concentração de cabos submarinos em Fortaleza começou em 2000, com a chegada do primeiro sistema à Praia do Futuro. Atualmente, os 16 cabos sustentam conexões com diversos mercados internacionais e fomentaram a instalação de data centers no estado, fortalecendo a economia local.
São Luís deverá ganhar uma conexão própria nesse cenário. O ramal está sendo desenvolvido pela EllaLink em parceria com a Agência Estadual de Tecnologia da Informação do Maranhão (ATI), representando o governo estadual. Para o governador Carlos Brandão, o projeto integra investimentos em conectividade de alta velocidade, infraestrutura de fibra óptica, cibersegurança, data centers e inclusão digital, buscando ampliar a infraestrutura tecnológica e atrair novos investimentos para o estado.
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Operação conjunta e controle estadual da capacidade
No Pará, o ramal até Salinópolis é coordenado pela Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Pará (Prodepa). Cada estado terá um ponto dedicado para chegada do cabo e acesso à rede que passa por Fortaleza e Caiena antes de alcançar outras conexões internacionais.
Além da infraestrutura física, Maranhão e Pará controlarão a capacidade transportada pelos ramais. A EllaLink ficará responsável pelo projeto, construção e operação das conexões, transferindo posteriormente a propriedade da infraestrutura aos estados, que poderão comercializar diretamente essa capacidade.
Inicialmente, a capacidade combinada dos dois ramais será de 17 Tbps, com possibilidade de expansão. O programa também prevê usar essa infraestrutura para ampliar a conectividade de banda larga em comunidades isoladas e reforçar serviços públicos digitais nas áreas de saúde, educação e governo eletrônico.
Monitoramento ambiental e avanços tecnológicos
Outra iniciativa prevista é a instalação de sensores SMART na infraestrutura submarina. Esses equipamentos poderão captar dados ambientais e sísmicos para apoiar projetos de monitoramento climático e científico, contando com suporte da União Europeia.
Etapas para implantação e financiamento
A EllaLink já finalizou estudos das rotas dos ramais, incluindo trajetos marítimos e terrestres, além de licenciamento, avaliações ambientais e engenharia. O avanço na implantação marítima depende da conclusão do financiamento pelos governos do Maranhão e do Pará.
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Philippe Dumont, presidente do Grupo EllaLink, destacou que a instalação das unidades no fundo do oceano é a base física para as futuras conexões. O desenho dos ramais está avançado, mas a próxima fase só ocorrerá após a finalização do financiamento estadual.
Investimento europeu e cooperação internacional
As unidades de derivação foram financiadas pelos governos estaduais do Maranhão e Pará com recursos não reembolsáveis da União Europeia. Os ramais integram o projeto Mais Conectado, focado na região amazônica, e contam com cofinanciamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
Detalhes técnicos e previsão de operação
O equipamento para o Pará foi instalado a 3.920 metros de profundidade, enquanto o do Maranhão está a 3.690 metros. Fabricados e instalados pela Alcatel Submarine Networks (ASN), esses dispositivos permitem adicionar ramais ao sistema sem interromper a rota principal.
Essas instalações fazem parte do Lum@link, extensão submarina de cerca de 2.100 quilômetros que conecta Caiena ao sistema principal da EllaLink próximo a Fortaleza. O sistema deve começar a operar até o fim de 2026, criando uma ligação óptica direta entre Caiena, Fortaleza e Sines, em Portugal.
O Lum@link iniciou sua instalação marítima em julho de 2026 e recebeu uma subvenção de 29,9 milhões de euros da Comissão Europeia, por meio do Connecting Europe Facility Digital. O projeto também envolve investimentos do governo da Guiana Francesa e apoio financeiro da Agência Francesa de Desenvolvimento.
