Foguete HANBIT-Nano Passa por Incidente Durante Lançamento
No dia 22 de outubro, o foguete sul-coreano HANBIT-Nano, que decolou do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, explodiu após cerca de 50 segundos de voo. Esse lançamento, que aconteceu à noite, foi o primeiro evento comercial do tipo realizado no Brasil e tinha a missão de colocar em órbita oito cargas úteis, incluindo cinco pequenos satélites e três dispositivos experimentais destinados a pesquisas científicas. Os experimentos, que estavam acomodados na coifa na parte superior do foguete, foram desenvolvidos por instituições de ensino do Brasil e da Índia.
O objetivo do lançamento era coletar dados relevantes, realizar testes de comunicação em órbita, monitorar fenômenos solares e validar tecnologias de navegação. Com uma equipe composta por aproximadamente 400 profissionais, entre eles militares e civis brasileiros e sul-coreanos, a Operação Spaceward, como foi nomeada, foi um grande passo para a indústria espacial brasileira. Um total de 27 especialistas ficou encarregado de supervisionar diferentes sistemas do foguete durante o lançamento.
Cargas Úteis do Foguete HANBIT-Nano
Entre as cargas úteis transportadas pelo HANBIT-Nano, destacam-se:
- Satélite Jussara-K: Criado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em colaboração com startups e outras instituições, este satélite tinha a função de coletar dados ambientais em áreas de difícil acesso, contribuindo para pesquisas climáticas e ambientais.
- FloripaSat-2A e FloripaSat-2B: Desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), esses satélites eram destinados a testes de comunicação em órbita, validando tecnologias para troca de dados entre dispositivos espaciais.
- PION-BR2: Projetado por cientistas de Alcântara e desenvolvido pela UFMA em associação com a Agência Espacial Brasileira (AEB), esse dispositivo contemplava a transmissão de mensagens por alunos da rede pública local, com foco na educação e na ciência.
- Satélite SNI-GNSS: Criado em parceria entre a AEB e empresas como Concert Space e HORUSEYE TECH, este satélite tinha o objetivo de determinar com precisão velocidade, posição e altitude, tecnologia essa que poderá ser aplicada em drones e veículos.
- Solaras-S2: Desenvolvido pela empresa indiana Grahaa Space, este satélite tinha a função de monitorar fenômenos solares que poderiam impactar sistemas de comunicação e navegação terrestres.
- Sistema de Navegação Inercial (INS): Um experimento da empresa brasileira Castro Leite Consultoria (CLC), que tinha como meta validar um algoritmo de navegação importante para futuras missões espaciais.
Detalhes do Incidente em Alcântara
O foguete HANBIT-Nano, decolando do CLA, explodiu por volta das 22h13, um evento que pôde ser observado por moradores de Alcântara e São Luís. Durante a transmissão ao vivo do lançamento, a equipe técnica informou sobre uma anomalia ainda não identificada que ocorreu durante o voo. O foguete, que não tinha tripulação a bordo, caiu rapidamente, logo após iniciar sua trajetória.
A Força Aérea Brasileira (FAB) emitiu uma nota oficial após o incidente, relatando que o foguete apresentou uma anomalia e, em decorrência disso, caiu em solo próximo ao ponto de lançamento. Equipes de resgate da FAB e do Corpo de Bombeiros foram enviadas rapidamente ao local para investigar os destroços e a área afetada pela queda do foguete.
