Expectativas para o Mercado de Ovos em 2026
O setor brasileiro de produção de ovos deve continuar sua trajetória de crescimento em 2026, conforme apontam análises do Cepea, o centro de estudos avançados em economia da USP. Apesar do panorama otimista, a indústria enfrenta desafios significativos, especialmente relacionados à gripe aviária, que permanece uma preocupação constante para produtores, autoridades sanitárias e os diversos agentes do mercado.
Sobre a oferta, os estudos do Cepea indicam que o aumento na produção nacional de ovos destinados ao consumo poderá ser mais modesto em 2026 comparado às projeções para 2025. Estima-se um crescimento de cerca de 1%, com a produção alcançando 4,11 bilhões de dúzias. Esse crescimento mais cauteloso é reflexo de ajustes necessários no setor, considerando os custos, a gestão sanitária e um planejamento produtivo mais disciplinado.
Demanda Crescente e Consumo Per Capita
No que diz respeito à demanda, as expectativas são ainda mais promissoras. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o consumo de ovos no Brasil deve continuar a crescer. Para 2025, estima-se que a média de consumo atinja 287 ovos por habitante, colocando o Brasil entre os dez maiores consumidores per capita do mundo pela primeira vez. Em 2026, essa média pode aumentar para 307 ovos por habitante, consolidando o País na sétima posição no ranking global de consumo dessa importante fonte de proteína.
Entretanto, apesar das boas notícias, a gripe aviária se apresenta como um risco estrutural persistente para o setor. Pesquisadores do Cepea destacam que, durante 2025, o vírus se espalhou por diversas regiões do globo, impactando granjas comerciais em países como África do Sul, Estados Unidos, Japão e em várias nações europeias, além de casos registrados no Brasil. Embora o país tenha conseguido rapidamente restabelecer sua condição de livre da doença, a ameaça do vírus se mantém, exigindo vigilância constante por parte das autoridades e dos próprios produtores.
Oportunidades no Mercado Externo
Por outro lado, a situação sanitária internacional abre portas para novas oportunidades. A propagação da gripe aviária em outros países pode beneficiar as exportações brasileiras, visto que o Brasil tem mostrado capacidade de atender à demanda externa por ovos. Esse quadro é reforçado pela decisão da União Europeia de reiniciar, em novembro de 2025, o sistema de pré-listagem para estabelecimentos que produzem aves e ovos. Essa medida não apenas representa um sinal de confiança no setor brasileiro, mas também indica um potencial significativo de crescimento nas exportações em 2026, solidificando a posição do Brasil como um fornecedor relevante no mercado global.
