Intensificação da Política Externa de Trump
Donald Trump não esconde suas intenções: a Venezuela não é o fim de seus planos. Após ordenar um bombardeio em Caracas e a captura do presidente Nicolás Maduro, ele agora voltou suas atenções para outros países latino-americanos. Recentes declarações deixaram clara sua disposição de atacar a Colômbia, derrubar o governo cubano e, surpreendentemente, realizar ações enérgicas contra o México.
No último domingo, Trump também reviveu uma de suas antigas obsessões ao afirmar: “Precisamos da Groenlândia”. A Casa Branca confirmou que o presidente está considerando “várias opções” para a aquisição desse território autônomo da Dinamarca, ressaltando que o uso da força militar sempre estará na mesa de negociações do comandante em chefe. A porta-voz Karoline Leavitt destacou que recorrer ao Exército é uma alternativa viável.
Trump sempre se destacou por usar o medo como uma ferramenta de imposição. Contudo, a diferença agora é que suas ameaças são vistas com uma seriedade crescente. O envio da Força Delta para a Venezuela sinaliza que o presidente está preparado para utilizar o poder militar em nome de seus objetivos, mesmo que isso possa comprometer a Pax Americana que se estabeleceu após a Segunda Guerra Mundial.
Retorno da Doutrina Monroe e Seus Implicações
Em sua primeira declaração após o ataque em Caracas, Trump anunciou a volta da Doutrina Monroe, que defende a ideia de “América para os americanos”. Na prática, isso significa que ele reavivou o Corolário Roosevelt, que permite a intervenção militar dos Estados Unidos em assuntos continentais para impor suas vontades. A retórica de Trump sugere uma abordagem mais agressiva, colocando em evidência a política do porrete nas relações internacionais.
Um ponto curioso é a decisão de Trump de não considerar María Corina Machado como uma alternativa viável para substituir Maduro, mesmo após a oposição venezuelana expressar apoio. Segundo o Washington Post, essa escolha se deve ao fato de Machado ter recebido o Nobel da Paz, um prêmio que Trump aparentemente desejava para si. Apesar da oferta da líder antichavista de “entregar” o prêmio ao presidente americano, ele não parece interessado nessa troca.
A vaidade de Trump ultrapassa limites. Enquanto o Pentágono se preparava para uma ação decisiva contra Maduro, o presidente determinou a criação de um site oficial que reescreve os eventos da História em sua própria perspectiva. Esse espaço digital retrata Trump como um herói da democracia e perpetua a narrativa de que Joe Biden teria fraudado a eleição de 2020. Ao mesmo tempo, os indivíduos que invadiram o Capitólio são apresentados como “manifestantes pacíficos e patriotas”, todos sob a proteção que Trump proporciona.
Não Subestimar as Ameaças de Trump
A História é clara: não se deve subestimar as declarações e ações de Trump. À medida que ele intensifica sua retórica agressiva, fica evidente que o interesse americano se concentra não apenas em questões de segurança, mas também em recursos estratégicos. A frase que ecoa é: “É o petróleo, estúpido”, refletindo a motivação por trás do interesse na Venezuela. A situação na América Latina se torna, assim, um campo de batalha em que as ambições de Trump podem ter consequências significativas.
