A Importância do Abril Azul
O mês de abril é marcado pela campanha Abril Azul, que visa trazer à tona a questão do transtorno do espectro autista (TEA). Esta condição de neurodesenvolvimento se caracteriza por desafios na comunicação, interação social e comportamentos repetitivos. Em resposta a essa questão, a Prefeitura de São Paulo tem se empenhado em oferecer um suporte abrangente e multidisciplinar aos pacientes com TEA.
Nos últimos anos, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) tem investido na melhoria dos serviços destinados a esta população, promovendo capacitação profissional e ampliando a infraestrutura. O número de atendimentos realizados cresceu de 26.521 em 2019 para 215.708 em 2025, evidenciando o compromisso da gestão pública com o bem-estar das pessoas com TEA.
A Rede de Atendimento em São Paulo
Os atendimentos são realizados em uma rede que conta com 481 Unidades Básicas de Saúde (UBS), 104 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), 35 Centros Especializados em Reabilitação (CERs) e 23 Centros de Convivência e Cooperativa (Ceccos). Essa estrutura permite um trabalho articulado e integrado, fundamental para o tratamento eficaz dos casos de TEA.
A SMS segue as diretrizes estabelecidas pela Lei Municipal nº 17.502/2020, que visa garantir e expandir os direitos de indivíduos com TEA e de suas famílias. Uma das iniciativas é a Linha de Cuidado da Pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo, que integra diversas áreas da Coordenadoria de Atenção Básica (CAB). Essa linha também incorpora grupos de orientação para familiares, oferecendo suporte em aspectos como desenvolvimento e comportamento.
A Importância do Diagnóstico Precoce
O diagnóstico precoce do TEA é crucial, pois a intervenção em estágios iniciais pode proporcionar melhores resultados ao longo da vida da criança. As UBS desempenham um papel central no acompanhamento e na avaliação desses casos, enfatizando a importância do cuidado integral e centrado na família.
Os Caps, por sua vez, oferecem atendimento interdisciplinar, focando no diagnóstico biopsicossocial e na elaboração de Projetos Terapêuticos Singulares para os usuários e suas famílias. Esses centros também lidam com crises e oferecem reabilitação psicossocial, tornando-se referências para suas populações.
Atendimento Multidisciplinar nos CERs
Os Centros Especializados em Reabilitação (CERs) proporcionam uma abordagem multidisciplinar, contando com uma equipe composta por médicos fisiatras, neurologistas pediátricos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e enfermeiros. O objetivo é favorecer o desenvolvimento dos pacientes e apoiar suas famílias através de uma abordagem integrada que abrange comunicação, autonomia e funcionalidade.
Além disso, esses centros possuem salas sensoriais e utilizam tecnologias assistivas, incluindo recursos de reabilitação em realidade virtual, que visam estimular habilidades motoras e cognitivas.
Inovações na Terapia com Realidade Virtual
A psicóloga Nádia Silva Ribeiro, do CER III São Mateus, destaca a utilização da tecnologia Nirvana como uma ferramenta terapêutica inovadora. Este recurso, baseado em realidade virtual, é projetado para pacientes com rebaixamento cognitivo, empregando jogos interativos que estimulam funções executivas, atenção e coordenação motora. “O Nirvana traz o brincar para dentro da terapia, mas com um objetivo clínico. Facilita a adesão ao tratamento e permite simulações de situações do cotidiano”, explica Nádia.
As famílias têm percebido resultados significativos. Cátia Soares Batista, mãe de M.S.S. de 6 anos, relata que o uso deste recurso transformou o comportamento do filho, que hoje consegue se concentrar e participar mais ativamente das atividades escolares.
Estratégia de Apoio à Autonomia
A rede municipal de saúde também conta com a Estratégia APD — Apoiador da Pessoa com Deficiência, estabelecida em 2010. Essa estratégia foca no acompanhamento de pessoas com deficiência intelectual em várias etapas da vida, promovendo autonomia e participação social. Atualmente, 34 equipes compostas por profissionais de saúde atuam em CERs de reabilitação intelectual, oferecendo apoio em saúde, inclusão escolar e inserção em atividades culturais e de lazer.
Essas iniciativas visam fortalecer os vínculos familiares e orientar sobre acesso a benefícios, além de promover o desenvolvimento de habilidades como autocuidado, mobilidade e comunicação, fundamentais para a inclusão social das pessoas com TEA.
