Medidas que Preocupam o Setor Agropecuário
O agronegócio brasileiro enfrenta novamente um cenário preocupante devido às possíveis sanções do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a países que mantêm relações comerciais com o Irã. Essa situação acende um alerta especialmente em estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que dependem fortemente das exportações. Dados recentes indicam que, no ano anterior, milho e soja representaram impressionantes 87,2% das exportações brasileiras para o Irã.
Na última segunda-feira (12), Trump anunciou a imposição de uma sobretaxa aos países que, além de comercializarem com o Irã, realizarem transações com o mercado americano. Essa decisão não apenas intensifica a tensão comercial entre os dois países, mas também gera incerteza sobre as consequências para o agronegócio brasileiro.
Em 2025, o Irã destacou-se como o 11º maior destino das exportações do agronegócio nacional, conforme dados do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária). As vendas para o país atingiram a marca de US$ 2,9 bilhões, representando 1,73% do total exportado pelo setor. Os produtos que mais têm destaque nesse comércio são o milho, que corresponde a 67,9% das vendas, totalizando mais de US$ 1,9 bilhão, e a soja, que representa 19,3%, somando cerca de US$ 563 milhões, de acordo com informações do Comexstat.
Impacto Potencial nas Exportações e Importações
Embora o Irã ocupe a 42ª posição entre os fornecedores de produtos agropecuários para o Brasil, o país é um importante exportador mundial de ureia, um insumo essencial para a fertilização agrícola. Portanto, a relação comercial entre Brasil e Irã é complexa e repleta de nuances que podem afetar tanto as exportações quanto as importações.
Vale lembrar que, em 2025, o Brasil já havia sentido o impacto do chamado “tarifaço” imposto por Trump nas empresas americanas que adquiriram produtos de outros países. Em abril daquele ano, o presidente anunciou tarifas recíprocas com aplicação de uma taxa adicional de 10% sobre os produtos brasileiros. Em julho, essa taxa foi elevada em 40%, chegando a 50%, com essa alíquota em vigor desde 6 de agosto. Itens como suco de laranja, aeronaves, petróleo, veículos, autopeças, fertilizantes e produtos energéticos foram isentos dessa cobrança.
Em novembro do mesmo ano, as tarifas foram suspensas para os principais produtos agrários, mas alguns ainda continuam a pagar a sobretaxa. Atualmente, 22% das exportações brasileiras para os EUA permanecem sujeitas a tarifas elevadas, enquanto apenas 36% entram no mercado americano isentas de custos adicionais. Essa realidade apresenta um desafio significativo para os exportadores, que precisam navegar em um ambiente comercial cada vez mais complicado.
Desafios e Oportunidades no Agronegócio
Com o cenário atual de incertezas comerciais e as novas medidas de Trump, os produtores brasileiros devem estar atentos às mudanças no mercado internacional. A dependência do agronegócio nas exportações para o Irã, combinada com as tensões políticas, pode criar um cenário desafiador, mas também abre espaço para explorar novos mercados e diversificar as parcerias comerciais.
As discussões sobre a resiliência do agronegócio brasileiro estão em alta, e especialistas apontam que a adaptação às novas condições de mercado será crucial para a continuidade do crescimento do setor. O acompanhamento das políticas comerciais e a busca por acordos bilaterais podem ser estratégias viáveis para mitigar os riscos e aproveitar ao máximo as oportunidades que surgem neste cenário volátil.
