Crescimento da Aquicultura no Brasil
A aquicultura no Brasil vem se expandindo de forma expressiva. Entre 2016 e 2024, a receita do setor quase triplicou, um resultado impulsionado por margens de lucro que variam entre 20% e 30%, podendo alcançar até 50% quando as vendas são realizadas diretamente aos consumidores ou a restaurantes. Apesar da alta produtividade, que pode chegar a 10 toneladas por hectare em tanques, a oferta irregular e a falta de padronização ainda são desafios que limitam o potencial de exportação.
O Brasil tem debatido a necessidade de diversificar o seu agronegócio, que é amplamente sustentado pela produção em larga escala de commodities como soja, açúcar e carne. Nesse contexto, a aquicultura emerge como uma alternativa viável, oferecendo uma resposta aos desafios do setor. O aumento na demanda por peixes, principalmente a tilápia, um dos mais consumidos no país, é um indicativo de que o setor pode ter um futuro promissor.
Políticas Públicas e Avanços no Setor
O avanço da aquicultura no Brasil não ocorreu por acaso. A implementação de políticas públicas foi crucial para o crescimento do setor. A inclusão da aquicultura nas linhas de crédito rural, anteriormente restritas à agricultura e à pecuária, teve um impacto significativo. Além disso, a regulamentação da criação de peixes em tanques-rede, que se submete a licenciamento ambiental, impulsionou a produção.
Uma das iniciativas mais importantes foi a criação, em 2003, de uma política que reduziu a carga tributária sobre as rações utilizadas na aquicultura, isentando os impostos PIS e COFINS sobre a receita bruta das empresas do setor. Esses esforços resultaram em um crescimento impressionante da receita, que saltou de aproximadamente R$ 3,1 bilhões em 2016 para cerca de R$ 11,7 bilhões em 2024, segundo dados do IBGE.
Desafios e Oportunidades nas Exportações
Apesar do crescimento na produção e na receita, o Brasil ainda enfrenta desafios nas exportações de peixe. Em 2024, as vendas externas somaram apenas 9.100 toneladas, o que representa uma fração da produção total. Embora tenha havido um aumento nas exportações nos últimos anos, o Brasil ainda está longe de alcançar seu potencial completo.
Um dos principais obstáculos é a estrutura de produção. Atualmente, aproximadamente 60% da pesca no Brasil ainda é artesanal, conforme as informações do Ministério da Pesca e Aquicultura. Isso resulta em uma oferta irregular e na dificuldade de atender aos padrões exigidos por importadores, o que gerou problemas em mercados de alto consumo. Em 2017, as exportações de peixe para a União Europeia foram suspensas devido a incertezas em alguns processos de produção, mas há perspectivas positivas com a realização de uma auditoria nos frigoríficos brasileiros prevista para o primeiro semestre deste ano.
Impacto das Tarifas e Reorganização do Mercado
As tarifas impostas pelos Estados Unidos também têm afetado as exportações brasileiras de peixe, que enfrentaram um aumento de 50% em meados de 2025. Embora algumas commodities tenham sido retiradas do aumento tarifário, o peixe permaneceu na lista, impactando negativamente os embarques. Entre janeiro e junho de 2025, o envio de tilápia ao mercado americano caiu de aproximadamente 2.700 toneladas para 1.400 toneladas no segundo semestre do ano.
Para contornar esses desafios, o mercado tem buscado diversificar suas exportações, aumentando as vendas para países como Uruguai e Peru, que agora ocupam o segundo e terceiro lugares entre os destinos das exportações de peixe brasileiro. Essa estratégia tem sido eficaz, mantendo as receitas em um patamar semelhante ao do ano anterior, com um total de US$ 63,7 milhões em exportações de peixe.
Aquicultura e o Futuro do Agronegócio Brasileiro
Mesmo diante das adversidades, a aquicultura tem o potencial de se inspirar em outras cadeias de produção de proteína animal que experimentaram crescimento significativo no Brasil. O rebanho bovino, por exemplo, triplicou nas últimas cinco décadas, enquanto a avicultura se transformou no maior exportador mundial de frango, resultado de inovações tecnológicas e investimentos em nutrição e genética.
A demanda global por proteínas animais está projetada para crescer, com a aquicultura devendo aumentar 35% até 2030, segundo a FAO. Mercados como a China e o Vietnã já demonstraram crescimento acentuado na produção de peixes, e o Brasil, com sua vasta disponibilidade de recursos hídricos e capacidade científica, não pode ficar para trás nesta corrida.
