Desafios da Digitalização no Agronegócio Brasileiro
A agricultura digital no Brasil está em franca expansão, impulsionada pela convergência de tecnologias de informação e comunicação com a produção agrícola. O uso de sensores, drones e inteligência artificial (IA) tem se tornado comum, mas a falta de infraestrutura de internet no meio rural é um obstáculo significativo. De acordo com o Radar Agtech Brasil, em 2024 existem 1.972 startups focadas no setor, um crescimento notável de 75% desde 2019. Contudo, a baixa conectividade limita o potencial do agronegócio brasileiro, que busca manter sua posição de destaque no cenário global como um dos maiores produtores e exportadores de alimentos.
Especialistas ressaltam que a digitalização não é apenas uma tendência, mas uma necessidade estratégica. Ela é vital para garantir a competitividade, a sustentabilidade e para manter o Brasil como o “celeiro do mundo”. Atualmente, o agronegócio brasileiro já é capaz de alimentar quase 1 bilhão de pessoas, mas ainda há espaço para crescimento. A McKinsey estima que a digitalização poderia gerar ganhos superiores a US$ 20 bilhões.
O Papel das Startups e Tecnologias Inovadoras
Sílvio Carlos Ribeiro, Secretário Executivo do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará, destaca que a digitalização está em ascensão, acompanhando o ritmo da agricultura brasileira. Produtores têm adotado tecnologias inovadoras como sensores, drones e IA, que não apenas aumentam a produtividade, mas também ajudam a reduzir custos e otimizar o uso de insumos agrícolas. “Essas ferramentas têm permitido uma gestão mais eficiente dos recursos e uma redução significativa dos custos envolvidos na produção”, afirma Ribeiro.
Além disso, a utilização da Internet das Coisas (IoT) e sensores tem revolucionado a forma de monitoramento das lavouras. Cada vez mais, agricultores buscam a inteligência artificial como uma aliada na tomada de decisões. No entanto, Ribeiro também observa que a digitalização contribui para a redução da necessidade de mão de obra, uma questão que tem se tornado cada vez mais preocupante no setor agrícola.
Integração da Digitalização nas Políticas Públicas
Júlio César Dalla Mora Esquerdo, chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agricultura Digital, ressalta as inúmeras vantagens da digitalização em todas as etapas da cadeia produtiva. Segundo ele, o conceito de agricultura digital é amplo e integra planejamento, produção, logística e mercado, possibilitando um manejo mais preciso e eficiente. As tecnologias utilizadas, como drones e sistemas de apoio à decisão, permitem um aumento significativo da produtividade e uma redução nos custos de produção.
Os benefícios não se limitam ao campo. Depois da porteira, a digitalização se estende a áreas como rastreabilidade e logística, assegurando que os produtos atendam às exigências do mercado. Assim, a eficiência na utilização de recursos naturais é ampliada, contribuindo para a sustentabilidade do setor.
Desafios e Oportunidades na Adoção de Tecnologias
Apesar dos avanços, a implementação da agricultura digital enfrenta barreiras significativas no Brasil, sendo a falta de conectividade e o letramento digital as principais. Muitos pequenos e médios produtores ainda têm dificuldades com a utilização de tecnologias digitais, o que evidencia a necessidade de treinamento e suporte técnico. A falta de integração entre sistemas e a incerteza quanto ao retorno do investimento também são desafios a serem superados.
Para que a digitalização avance, é fundamental realizar investimentos em infraestrutura de internet no meio rural, além de oferecer capacitação prática e modelos de negócio adaptados à realidade do campo. A implementação de políticas públicas que promovam parcerias e soluções acessíveis pode ser o caminho para um futuro mais conectado e produtivo.
A Importância da Inovação no Setor Agropecuário
Amílcar Silveira, presidente da Federação da Agricultura do Ceará (FAEC), acredita que o Brasil está em um caminho sem volta em relação à digitalização no agronegócio. Ele ressalta que as inovações tecnológicas, embora não aplicáveis de maneira uniforme a todas as culturas, já são uma realidade em grandes fazendas e estão começando a ser adotadas por pequenos produtores. Exemplos disso incluem a utilização de robôs na ordenha e a adoção de bioinsumos na fruticultura.
Ainda assim, é vital que as inovações cheguem a todas as propriedades, independentemente do tamanho. O MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) concorda com essa perspectiva e destaca a importância de integrar a agricultura digital em todos os níveis, o que pode resultar em ganhos expressivos em produtividade e eficiência no uso de insumos.
Rumo à Sustentabilidade e Transparência
A digitalização no agronegócio não apenas aumenta a eficiência de produção, mas também permite a implementação de práticas ESG (ambientais, sociais e de governança). Através da rastreabilidade e do uso de tecnologias como blockchain, os produtores podem garantir que suas práticas atendem aos padrões de sustentabilidade exigidos pelo mercado.
Para o futuro, o MAPA acredita que é fundamental ampliar a qualificação profissional em agricultura digital para que o Brasil reforce sua posição como líder global na produção de alimentos. Se o setor agropecuário brasileiro utilizar a digitalização com eficiência, poderá alcançar novos patamares de competitividade e sustentabilidade.
