Um Novo Capítulo para a Cultura Amazônica
A Prefeitura de Santarém, através da Secretaria Municipal de Cultura, lança no próximo sábado, dia 24 de janeiro, a partir das 19h, a primeira edição do Banzeiro Cultural. O evento, que ocorrerá no Theatro Municipal Victória, é uma proposta inovadora para fortalecer a cena artística na região e ampliar a visibilidade de talentos independentes da Amazônia.
Na estreia do projeto, o palco do Victória contará com duas atrações que refletem a rica diversidade cultural do território: a banda Caldo de Piranha, conhecida por seu som vibrante e contemporâneo, e a cantora e compositora Cleide do Arapemã, uma importante liderança quilombola e referência de resistência cultural na região do Baixo Amazonas.
Com inspiração no movimento rítmico e na força das águas, o Banzeiro Cultural surge como uma iniciativa que visa apoiar e dar visibilidade a artistas das mais variadas vertentes, incluindo música, dança e canto coral. O projeto proporcionará suporte técnico, logístico e promocional, assegurando que esses profissionais possam se apresentar em espaços culturais adequados, com um público ampliado. Embora muitos artistas já tenham um histórico de contribuições valiosas à cultura, muitos ainda enfrentam barreiras no acesso a equipamentos institucionais.
Fortalecendo a Identidade Cultural Local
As apresentações do Banzeiro Cultural acontecerão bimestralmente, integrando-se ao calendário cultural de Santarém por meio de um processo de chamamento público que buscará ser transparente e democrático. Essa estratégia visa fortalecer a identidade local ao conectar a energia criativa desses artistas ao grande público, consolidando a imagem de Santarém como um importante território cultural na Amazônia.
A secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, destaca que o lançamento do projeto representa um novo tempo para as políticas culturais na cidade. “O Banzeiro Cultural nasce com um propósito claro: valorizar quem faz cultura em Santarém e na Amazônia, especialmente os artistas que vêm das comunidades, dos territórios ribeirinhos e periféricos, que muitas vezes não conseguem acessar os equipamentos culturais oficiais”, afirmou a secretária. Ela também ressaltou a importância de criar um espaço contínuo para garantir a visibilidade e o reconhecimento desses talentos, que são verdadeiros patrimônios vivos do povo local.
Priscila Castro acrescentou que o projeto é uma iniciativa de incentivo e democratização do acesso à cultura. “Estamos fortalecendo nossa identidade cultural e ampliando o acesso do público a produções artísticas locais de altíssimo valor. Santarém é rica em artistas incríveis, e o Banzeiro atuará como uma ponte entre o palco e o território, entre o centro e as comunidades, sempre com respeito e cuidado por aqueles que mantêm a cultura viva”, completou.
Caldo de Piranha e Cleide do Arapemã: Representantes da Cultura Local
A banda Caldo de Piranha representa uma sonoridade que faz ecoar a Amazônia contemporânea. Misturando brega pop, carimbó do Pará, bolero, cumbia, lambada e toada, o grupo surgiu em 2023 e rapidamente se destacou em festivais locais, unindo ritmos amazônicos e latino-americanos em uma proposta estética marcante. Mais do que apenas um entretenimento, a banda se posiciona como uma expressão cultural que valoriza as populações tradicionais por meio da arte.
Por outro lado, Cleide do Arapemã, cantora e compositora, é uma liderança quilombola do Quilombo do Arapemã, em Santarém. Sua trajetória é marcada por uma forte conexão entre arte, identidade e luta coletiva, utilizando a música como um poderoso instrumento de defesa da terra e da cultura quilombola. Cleide luta pela regularização territorial de seu quilombo e pela proteção do modo de vida comunitário, transformando sua voz em uma ferramenta de mobilização. Suas composições são influenciadas pela natureza e pela força da negritude amazônica, refletindo as memórias e histórias passadas por sua avó. Seu trabalho, que já foi tema de filme, está disponível nas plataformas digitais, com canções memoráveis como “Beira do Rio”, “Amanhecer no Quilombo” e “Rio Amazonas”.
