Uma História de Música e Tradicionalismo
O Bloco Serpentina, uma verdadeira instituição do carnaval de São Luís, está em festa ao completar dez anos de história, reafirmando seu compromisso com a música autoral e a convivência artística. Na noite da última terça-feira (10/2), o programa Plugado da Mirante FM recebeu Ricardo Coutinho, um dos fundadores do bloco, que compartilhou detalhes sobre essa trajetória repleta de cor e alegria.
Segundo Ricardo, a origem do Serpentina remonta a um “banzo” pela terra natal enquanto ele e outros amigos estavam em São Paulo, em 2013. Desde então, o bloco tem se destacado por reunir músicos, atores, artistas visuais e bailarinos, formando um coletivo vibrante que valoriza a criação compartilhada. Um dos pontos que o diferencia de outros blocos é a ênfase em um repertório inteiramente composto por canções autorais.
“A história do Serpentina começa em 2013, quando Alessandro Luiz Silva, que morava em São Paulo, teve a ideia de criar a alegoria da serpente após uma visita a São Luís. Ele se inspirou nos festivais orientais do bairro da Liberdade, mesclando essas influências com referências do carnaval de rua. Junto com Ricardo Coutinho e Fernando Gomes, também maranhenses vivendo na cidade, Alessandro compôs o hino do bloco e gravou a primeira versão em vídeo. Com o retorno do grupo a São Luís e a união de novos integrantes, a ideia tomou forma e desembocou no primeiro desfile oficial em 2016,” relembra Coutinho com entusiasmo.
A lenda da serpente, que cresce sob o solo da cidade, é a alegoria central do bloco. Enquanto, sob a narrativa popular, o despertar da serpente é visto como um presságio negativo, no carnaval do Serpentina, a serpente se transforma em um símbolo de união e celebração. Anualmente, ela deixa o subterrâneo para invadir as ruas do Centro de São Luís, transformando a antiga lenda em uma grande festa.
O Circuito do Carnaval
Para a alegria dos foliões, o bloco Serpentina se concentrará na Rua Godofredo Viana, próximo ao Teatro Arthur Azevedo. As festividades acontecem neste sábado gordo (14 de fevereiro) e na segunda-feira de carnaval (16 de fevereiro), sempre a partir das 16h. Na segunda-feira, a Serpentina fará um cortejo até o Laborarte, onde irá encerrar a programação com uma apresentação especial, mantendo a característica que sempre marcou sua trajetória: um carnaval alternativo, de rua, que se destaca pela atmosfera familiar e pela participação de artistas de diversos segmentos.
Em tempos de carnaval, o Serpentina reafirma seu papel como um espaço de resistência e inovação, onde a alegria e a música se entrelaçam numa celebração única da cultura maranhense. Ao longo dessa década, o bloco não só manteve viva a tradição do carnaval, como também a reinventou, fazendo dela um reflexo da riqueza artística de São Luís.
