PT em Ação: Estratégias para Enfrentar Tarcísio
A candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto provoca um movimento no Partido dos Trabalhadores (PT), que está reavaliando suas estratégias para enfrentar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Em meio a um cenário complexo, o objetivo do partido é alcançar um desempenho semelhante ao de 2022, quando Tarcísio conquistou 55,27% dos votos, em contraste aos 44,73% de Fernando Haddad.
Na última eleição, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve 4,3 milhões de votos a mais em São Paulo do que em 2018, quando Haddad disputou a presidência. Para muitos assessores de Lula, a vitória apertada sobre Bolsonaro deve-se, em grande parte, ao desempenho dos candidatos petistas no maior colégio eleitoral do país. A análise sugere que é vital evitar que Tarcísio se aproxime de 60% dos votos, o que poderia beneficiar a candidatura bolsonarista à presidência.
Discussões Internas e Possíveis Candidaturas
Com esse cenário em mente, os assessores de Lula estão discutindo as melhores opções para enfrentá-lo. Tanto Fernando Haddad quanto Geraldo Alckmin estão sendo considerados como candidatos viáveis. No entanto, o presidente enfrenta desafios significativos para viabilizar qualquer um dos dois nomes. Embora tenham sido procurados, tanto o ministro da Fazenda quanto o vice-presidente não comentaram sobre a situação.
Haddad, por sua vez, já deixou claro que não pretende concorrer em 2026, após enfrentar três derrotas em momentos críticos para o PT em 2016, 2018 e 2022. Ele prefere se dedicar à formulação do programa de governo de Lula, caso o ex-presidente seja reeleito. O nome de Haddad também é cogitado para assumir a Casa Civil em um eventual novo mandato.
Lula, em uma declaração no final do ano passado, afirmou: “Haddad tem a maturidade e o histórico necessários para decidir seu futuro”. Por outro lado, Alckmin enfrentaria a necessidade de se afastar do cargo de vice para entrar na disputa, o que poderia gerar um vácuo em sua chapa, especialmente com a incerteza sobre o apoio integral do centrão.
A Tensão entre Alckmin e o PT
Lula e o presidente do PT, Edinho Silva, têm reiterado que Alckmin terá autonomia para escolher seu caminho nas eleições, seja como vice ou em outra função. No entanto, assessores próximos ao presidente afirmam que ele não irá pressionar por uma decisão específica, mas trabalhará na busca de consenso. A proximidade das eleições pode favorecer a articulação de Lula, que também escuta os apelos de uma ala majoritária do partido que vê em Haddad a melhor opção para a disputa gubernamental em São Paulo. Este grupo argumenta que só faria sentido alterar a composição da chapa se isso significasse uma ampliação da aliança eleitoral com partidos como MDB e PSD.
Atualmente, não há perspectivas de apoio sólido dessas siglas, e o PT está focado em angariar apoios pontuais nos estados. O discurso entre os petistas é claro: o partido precisa de um candidato que traga votos para Lula, destacando que o postulante ao cargo de governador deve ser a principal figura da campanha no estado, não o candidato ao Senado.
Contrapontos e Alternativas no PT
Entretanto, existe uma corrente dentro do PT que considera Alckmin o candidato mais forte para enfrentar Tarcísio, com potencial para atrair não apenas os eleitores tradicionais do PT, mas também o eleitorado bolsonarista, especialmente em municípios menores. Alckmin, que já foi governador de São Paulo em quatro ocasiões, tem uma relação próxima com prefeitos e uma trajetória política que lhe permite articular bem no interior do estado.
Enquanto isso, Haddad poderia ser direcionado para a candidatura ao Senado, uma opção que muitos acreditam ser mais atrativa para ele, dada a tradição do PT em eleger senadores em São Paulo e a expectativa de uma campanha menos desgastante.
Simone Tebet e Seu Papel no Tabuleiro Eleitoral
Outro nome que ganha destaque neste cenário é o de Simone Tebet. Ela é considerada uma forte concorrente para uma vaga no Senado ou na vice-governadoria. Sua presença no grupo pode trazer uma perspectiva mais centrista, atraindo eleitores que tradicionalmente não votam no PT. Recentemente, Tebet manifestou interesse em transferir seu domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo, o que reforça seu desejo de estar mais alinhada com Lula e sua candidatura em 2026.
A ministra já deixou claro para seu grupo político que está disposta a aceitar qualquer desafio que Lula estabelecer. Petistas próximos ao presidente comentam que ela está animada com a possibilidade de concorrer por São Paulo e que sua candidatura ao Senado é uma possibilidade concreta, especialmente se Alckmin decidir se candidatar a outro cargo. Essa movimentação indica que as articulações no âmbito do PT continuam em evolução, à medida que o partido se prepara para os desafios eleitorais que se aproximam.
