Impactos da Nova Aliança Comercial
A China, principal parceira comercial do Brasil no agronegócio, tem se aproximado cada vez mais dos Estados Unidos. Em recentes reuniões realizadas em Paris, nos dias 15 e 16 de outubro, os líderes dos dois países discutiram a possibilidade de ampliar as compras de produtos agrícolas americanos pela China. Já foi acordada a aquisição de 25 milhões de toneladas de produtos por safra nos próximos três anos, além de avançar em negociações que incluem carnes e grãos.
Durante a presidência de Donald Trump, o agronegócio brasileiro ganhou destaque, levando diversos países importadores, especialmente a China, a priorizar as compras do Brasil. Quando Trump assumiu em 2017, as exportações dos EUA para a China alcançavam US$ 23 bilhões. Contudo, esse valor caiu para US$ 13 bilhões em 2018. Após o término de seu mandato, as exportações se recuperaram e chegaram a US$ 41 bilhões em 2022. No entanto, com o retorno de Trump ao cenário político, as exportações despencaram para US$ 10,3 bilhões no ano passado.
O Futuro das Relações Comerciais
Trump deve se reunir com Xi Jinping no final deste mês, caso a situação na guerra contra o Irã permita, mas os Estados Unidos perderam a vantagem das tarifas pesadas que anteriormente utilizavam como estratégia de pressão. A decisão da Suprema Corte americana de derrubar essas sobretaxas tira um trunfo das mãos do governo dos EUA. Aparentemente, as negociações estão mais favoráveis para os chineses, especialmente porque os americanos têm dependências de minerais críticos que vêm de Pequim. Contudo, a expectativa é que as compras de produtos agrícolas americanos pelos chineses continuem a avançar.
Apesar da admiração que os produtores americanos ainda têm por Trump, eles se encontram em uma situação complicada. O setor agrícola dos EUA está enfrentando o terceiro ano consecutivo de alta nos custos de produção, juntamente com uma queda nas receitas. O cenário não parece promissor, especialmente com o fechamento do estreito de Hormuz, que é responsável por 20% do petróleo e 30% dos fertilizantes utilizados na agricultura.
Dados Reveladores de Mercado
Os números refletem as perdas que os Estados Unidos tiveram sob a administração de Trump e o crescimento do Brasil no cenário agrícola. Em 2022, durante o governo Biden, os EUA exportaram 30,2 milhões de toneladas de soja para a China, mas esse número despencou para 7,4 milhões no ano seguinte. Em contraste, o Brasil viu suas exportações de soja saltarem de 53,6 milhões de toneladas para 85,4 milhões no mesmo período.
As exportações de carnes também revelam a transformação no mercado. Em 2022, os EUA enviaram 242 mil toneladas de carne bovina para a China, mas esse número caiu drasticamente para 59 mil toneladas no ano passado. Por outro lado, o Brasil aumentou suas exportações de carne bovina de 1,2 milhão para 1,7 milhão de toneladas. A mesma tendência se observou nas exportações de milho, onde os EUA perderam espaço, enquanto as vendas brasileiras cresceram, mesmo com a China reduzindo sua presença no mercado externo.
Conclusão: O Papel do Brasil no Agronegócio Global
Embora o Brasil continue a ser um fornecedor significativo para a China, a relação comercial com os Estados Unidos continua sendo uma peça chave no quebra-cabeça do agronegócio. Para que a China mantenha suas exportações de produtos industrializados para os Estados Unidos, será necessário que aumente suas compras de produtos agrícolas oriundos dos americanos. Essa dinâmica, portanto, promete influenciar os rumos do agronegócio brasileiro nos próximos meses.
