O Papel Central do Cievs na Saúde Pública do Paraná
O Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs), vinculado à Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa), tem como missão primordial antecipar riscos antes que se transformem em crises. Este centro funciona como um radar constante, monitorando e respondendo, de forma rápida e eficaz, a ameaças à saúde pública.
Em conformidade com o Regulamento Sanitário Internacional (RSI) de 2005, o Brasil se destacou como o terceiro país na América a implementar uma rede de alerta e resposta a eventos que possam configurar emergências em saúde. No Paraná, essa estrutura é composta por uma unidade estadual na Sesa e quatro unidades municipais situadas em Curitiba, Foz do Iguaçu, Paranaguá e Londrina, além de uma unidade no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Litoral Sul.
Fortalecendo a Vigilância com a VBE
Um dos principais trunfos do Cievs é a Vigilância Baseada em Eventos (VBE), que realiza um monitoramento diário das mídias formais e informais, além de redes globais de saúde. O objetivo é identificar precocemente qualquer sinal de alerta, tanto no Brasil quanto no exterior, que possa representar riscos ao estado paranaense.
Segundo Beto Preto, secretário de Estado da Saúde, “o Cievs é o cérebro estratégico da nossa vigilância. Ele nos permite enxergar o problema antes mesmo que ele se agrave no Estado, acionando as áreas técnicas para que as medidas de prevenção e controle sejam adotadas de imediato”.
A Velocidade da Ação e Resposta
Mais do que apenas coletar informações, a grande força do Cievs reside na agilidade com que transforma dados em ações. O Centro atua como um verdadeiro disparador de segurança: assim que um evento com potencial impacto no Paraná é identificado, uma articulação imediata com as áreas técnicas especializadas é realizada.
Em poucas horas, um simples rumor ou uma notícia relevante pode evoluir para a elaboração de estratégias preventivas e definição de protocolos de resposta, muitas vezes antes mesmo que o risco se materialize no Estado.
“O trabalho do Cievs é baseado em uma busca ativa e qualificada. Monitoramos constantemente o cenário epidemiológico, filtrando informações de mídias e redes oficiais para identificar sinais precoces de alerta. Nosso papel é transformar esse grande volume de dados em inteligência estratégica, permitindo que a Sesa tome decisões rápidas e baseadas em evidências antes mesmo que uma ameaça se instale no território paranaense”, destaca Tatiane Dombroski, coordenadora do Cievs estadual.
Casos que Comprovam a Eficácia do Monitoramento
Um exemplo emblemático da eficácia do Cievs ocorreu em outubro de 2025, quando a equipe identificou, por meio da VBE, um alerta sobre bebidas adulteradas com metanol em São Paulo. O que inicialmente parecia ser um problema localizado rapidamente se tornou objeto de monitoramento intensivo no Paraná.
Em apenas 48 horas, a equipe organizou reuniões com as áreas técnicas da Sesa e com a Rede dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica do Paraná (Ciatox), resultando na publicação de uma nota técnica conjunta e na criação de uma Sala de Situação online. Essa estratégia permitiu o acompanhamento em tempo real dos casos e da distribuição de antídotos.
“Quando o primeiro caso suspeito surgiu em Curitiba, o Estado já tinha o fluxo de atendimento desenhado. Essa antecipação é o que salva vidas”, enfatiza Maria Goretti David Lopes, diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa.
Preparação frente a Novas Ameaças
A capacidade de antecipação do Cievs também se mostrou vital diante do aumento global dos casos de coqueluche em 2024. Ao sinalizar o avanço da bactéria fora das divisas paranaenses, o Cievs enviou alertas precoces, permitindo à Sesa a atualização dos protocolos de diagnóstico. Essa análise estratégica resultou no mapeamento de mais de dois mil casos no Estado, garantindo uma vigilância eficaz e a mitigação do impacto da doença.
O Radar CIEVS e a Comunicação com Profissionais de Saúde
Para manter todos informados, o Centro opera o Radar CIEVS, um canal de comunicação via WhatsApp que distribui análises técnicas a profissionais de saúde. A ferramenta apresenta informações sobre eventos em diversas esferas, avaliando o nível de periculosidade e relevância para o Paraná, fortalecendo assim um sistema de alertas qualificado.
“Nossa atuação busca respostas coordenadas e integradas. O Cievs fortalece a capacidade de resposta do Estado, garantindo que o Paraná cumpra os princípios do Regulamento Sanitário Internacional e proteja sua população com inteligência e agilidade”, conclui Maria Goretti.
Atualmente, o Cievs também mantém um olhar atento ao sarampo. Apesar de não haver registros de casos autóctones no Brasil, a doença continua no radar estratégico do Centro, que acompanha boletins internacionais e diretrizes nacionais para assegurar que, diante de qualquer mudança no cenário epidemiológico, o Paraná esteja sempre preparado.
