Evento Celebra a Cultura no Grande ABC
O Teatro Municipal de Mauá foi o palco para mais uma edição do Circula MinC, uma iniciativa do Ministério da Cultura que visa incentivar a troca de experiências entre gestores públicos, fazedores de cultura e a sociedade civil das sete cidades do Grande ABC. O encontro teve como principal objetivo promover um diálogo construtivo sobre os rumos da política cultural regional.
Para o prefeito de Mauá, Marcelo Oliveira, que teve a honra de receber os participantes, o sentimento que permeia o evento é de “gratidão”. Ele ressaltou a importância da cultura como um vetor de desenvolvimento social e econômico, destacando que, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, o Governo Federal destinou R$ 10 milhões para o setor. “Temos mantido um diálogo contínuo com o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, um dos mais significativos da América Latina”, acrescentou.
Guto Volpi, prefeito de Ribeirão Pires e atual presidente do Consórcio, enfatizou a relevância da aproximação do Ministério da Cultura com a instância regional. “É a primeira vez que um tema tão significativo é formalmente inserido na agenda do Consórcio”, declarou.
Os debates giraram em torno da Política Nacional Aldir Blanc e do fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura (SNC), com uma ampla participação da sociedade. O secretário de Cultura de Mauá, Deivid Couto, destacou que o evento serve como espaço de escuta para a construção de políticas públicas, promovendo um intercâmbio qualificado entre os municípios e o Ministério.
A Cultura como Pilar de Desenvolvimento
O presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Júnior, também esteve presente e sublinhou a importância estratégica da cultura para o desenvolvimento. “A cultura deve ser pensada em um tripé: a participação do poder público, do setor produtivo e dos trabalhadores. Investir em cultura é, sem dúvida, investir na qualidade de vida e na educação”, afirmou.
Carmem Negrão, representante do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), frisou que a cultura deve ser integrada às políticas públicas em geral. Ela defendeu que é essencial fortalecer a articulação entre conselhos e fomentar debates regionais para que a cultura ganhe mais espaço nas pautas governamentais.
Nos últimos dez anos, as cidades do ABC Paulista injetaram R$ 650 milhões no setor cultural, um investimento que, segundo especialistas, é crucial para o fortalecimento das cadeias produtivas culturais.
Foco na Gestão Pública e Economia Criativa
Na parte da manhã, a mesa redonda “A Gestão Pública de Cultura – Valores e Territórios” reuniu especialistas e gestores que debateram a importância de uma gestão integrada. Aroaldo Oliveira da Silva, secretário-executivo da Agência de Desenvolvimento do Grande ABC, apresentou o projeto ABC+ Cultura, que busca aprimorar o diálogo e a articulação entre os trabalhadores do setor e os gestores municipais.
Ele destacou que a economia criativa representa cerca de 3% do PIB brasileiro e que os empregos ligados à cultura correspondem a aproximadamente 5% do total. Dados revelaram que para cada R$ 1 investido em cultura, há um retorno estimado de R$ 7,50. Isso demonstra a relevância dos investimentos na área cultural e a necessidade de articulação com a sociedade civil.
Binho Perinotto, coordenador-geral do Gabinete da Secretaria de Articulação Federativa e Comitês de Cultura, orientou os participantes sobre os canais do Ministério da Cultura para acesso a informações e recursos. Ele destacou que o evento simboliza o fortalecimento das relações institucionais entre o Ministério, a Secretaria de Cultura de Mauá e o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. Além disso, ressaltou a recriação do Ministério da Cultura e a realização da 4ª Conferência Nacional de Cultura.
Valorização das Expressões Culturais Tradicionais
O diretor de Políticas Culturais Tradicionais e Populares, Tião Soares, fez um apelo à valorização das expressões culturais populares, afirmando que “não somos apenas fazedores de cultura; somos a própria cultura”. Ele ainda lembrou que o Brasil destina cerca de R$ 3 bilhões anuais para o setor, com recursos alocados entre os municípios.
Durante o evento, os participantes puderam acompanhar os debates e fazer sugestões, como a criação de um mapeamento dos fazedores de cultura e a ampliação do limite de idade em algumas oficinas culturais. Também foi discutido o fortalecimento do reconhecimento dos pontos de cultura, uma estratégia vital para o enriquecimento do cenário cultural regional.
Esse encontro não apenas representou um avanço nas discussões sobre políticas culturais, mas também reforçou a importância de uma abordagem colaborativa e integrada entre governo, sociedade civil e produtores culturais.
