Salvaguardas Como Proteção ao Produtor Brasileiro
Em meio à crise econômica que abala a Europa e provoca insatisfação social, o presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins da Silva Junior, defendeu a implementação de salvaguardas para proteger os produtos brasileiros. Durante uma entrevista ao CNN Money, realizada nesta quarta-feira (11), Martins argumentou que essa medida é essencial para garantir a competitividade do agronegócio nacional frente aos produtos europeus.
Martins reafirma que quaisquer alterações feitas pelo Brasil não irão comprometer o acordo negociado entre o Mercosul e a União Europeia (UE), o qual considera uma oportunidade singular para o setor agropecuário. Segundo ele, o Brasil deve se beneficiar consideravelmente desse acordo, já que é um dos principais membros que terá acesso às vantagens comerciais oferecidas.
“Vejo esse acordo como um grande avanço para o agronegócio. Estamos negociando com a elite mundial”, enfatizou o presidente da CNA, destacando a importância da tratativa para a agricultura brasileira. Ele acredita que o relacionamento comercial com a Europa poderá abrir portas para vendas a “clientes de alto nível”, gerando novas oportunidades de negócios.
Reputação do Agronegócio Brasileiro em Jogo
O dirigente explicou que, apesar das salvaguardas aprovadas pelo parlamento europeu, o agronegócio brasileiro está conquistando nova visibilidade no cenário internacional. “Com este acordo, a União Europeia nos credencia a um mercado mais exigente”, afirmou Martins. A crítica se dá em relação à imagem do agronegócio brasileiro no decorrer das negociações, que foi associada a altos índices de desmatamento no Brasil. No entanto, Martins acredita que essa percepção tem mudado.
“No início, criaram barreiras para nossos produtos, alegando que a desflorestação afetaria o clima global. Mostramos que isso não é verdade”, disse. Para Martins, esta é uma oportunidade valiosa para o Brasil demonstrar a qualidade de sua produção agrícola. “Os europeus perceberam que somos eficientes e produtivos, com produtos de altíssima qualidade”, ressaltou.
Carne Brasileira em Ascensão
Dentre os produtos que serão beneficiados pelo acordo entre Mercosul e UE, a carne destaca-se como um dos principais. Martins mencionou que, enquanto o rebanho de carne teve uma redução significativa em várias partes do mundo, o Brasil experimentou um aumento na oferta. “Atualmente, produzimos carne de primeira qualidade”, concluiu o presidente da CNA, evidenciando o potencial do país no mercado global de carnes.
Com este cenário, o agronegócio brasileiro se prepara para um novo capítulo nas relações comerciais com a Europa. A adesão a salvaguardas e a busca por um posicionamento de destaque podem ser os passos necessários para garantir a competitividade e a sustentabilidade do setor em um mundo cada vez mais exigente.
