Líder Brasileiro Aborda a Omissão da ONU em Conflitos
A COP-15, que ocorre em Campo Grande (MS), se desenrola em um cenário de intensas tensões geopolíticas. Em seu discurso neste domingo (22), Lula enfatizou que “ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando a regra”. O presidente brasileiro, ao discursar no segmento presidencial da conferência, ressaltou a relevância histórica da ONU, que, ao longo de 80 anos, contribuiu para a proibição de armas químicas e biológicas, a defesa dos direitos humanos e o apoio a refugiados e imigrantes. Entretanto, ele criticou a omissão do Conselho de Segurança em relação à busca por soluções para conflitos existentes.
Lula expressou que “um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima”, e defendeu que, em vez de muros e discursos de ódio, é essencial adotar “políticas de acolhimento e um multilateralismo forte e renovado”. Ele citou ainda a construção de muros como a proposta de Donald Trump nos EUA e a recente iniciativa do Chile de erguer um muro na fronteira com o Peru.
Diálogos Diplomáticos e Compromissos Ambientais
No início da conferência, discursaram também o presidente paraguaio, Santiago Peña, que se reuniu bilateralmente com Lula antes do evento, e o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Carrasco. Há quase duas décadas, Brasil, Paraguai, Bolívia, Argentina e Uruguai compartilham um Memorando de Preservação de Aves Migratórias, que protege 11 espécies diferentes. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, também fez uso da palavra, acompanhada pelos ministros de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e do Planejamento, Simone Tebet, que revelou sua intenção de concorrer ao Senado por São Paulo pelo PSB.
Em um momento em que as disputas presidenciais se intensificam, com Lula empatado nas pesquisas com Flávio Bolsonaro, o presidente brasileiro apontou que a gestão de seu antecessor em questões ambientais prejudicou a imagem do Brasil no exterior.
Avanços Ambientais e Propostas de Conservação
Lula declarou que “até pouco tempo, a imagem internacional do Brasil na área ambiental enfrentava questionamentos profundos, impactando diretamente nossas relações econômicas e comerciais”. No entanto, ele destacou que desde 2023, sua administração vem seguindo um novo caminho, com resultados notáveis, como a redução do desmatamento na Amazônia pela metade e no Cerrado em mais de 30%, além da queda de mais de 90% nas queimadas no Pantanal. O presidente também lembrou que o Brasil sediará a COP-30 e que lançou a iniciativa “Fundo Florestas Tropicais para Sempre” e a Coalizão de Mercados de Carbono.
Durante seu discurso, Lula foi aplaudido ao mencionar a proposta de candidatura para que a região de Abrolhos seja reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO. Ele ainda comentou sobre a convenção para a proteção de espécies migratórias, criada em 1979, que foi um marco na construção de uma arquitetura institucional de meio ambiente e clima nas Nações Unidas e que possibilitou o controle e mapeamento de quase 1.200 animais, incluindo espécies ameaçadas de extinção. “Contribuiu para a recuperação da baleia jubarte e da tartaruga-verde”, lembrou.
Objetivos da Presidência Brasileira na COP-15
Segundo Lula, a presidência brasileira da COP-15 terá três metas principais: dialogar com os princípios das Convenções do Clima, da Desertificação e da Biodiversidade; mobilizar recursos financeiros e criar mecanismos multilaterais inovadores; e promover a universalização da Declaração do Pantanal, incentivando a proteção das espécies e das rotas migratórias.
Durante o evento, o governo brasileiro anunciou a criação de uma nova unidade de conservação, a reserva Córregos dos Vales, localizada no Norte de Minas Gerais, abrangendo 41 mil hectares. Além disso, foi aprovada a ampliação do Parque Nacional do Pantanal em mais 47 mil hectares, elevando a área total protegida para 183 mil hectares, bem como a extensão da Estação Ecológica de Taiamã, no Mato Grosso, que agora conta com 68 mil hectares.
