Joia Histórica em Processo de Restauração
A coroa da imperatriz Eugénie, danificada durante um roubo no renomado Louvre, em Paris, será restaurada. O famoso museu francês anunciou que a peça, que conta com 1.354 diamantes e 56 esmeraldas, foi amassada durante o assalto, mas não precisará de reconstrução. Essa coroa, projetada em 1855 por Alexandre-Gabriel Lemonnier, joalheiro nomeado por Napoleão II, é uma exclusiva relíquia da história francesa.
Na ocasião em que foi apresentada pela primeira vez, na Exposição Universal de Paris, o imperador buscava reafirmar a grandeza da França frente às potências europeias. Recentemente, o museu divulgou um vídeo que contém imagens inéditas do roubo das joias, o que trouxe à tona um debate sobre a segurança das obras de arte.
Roubo Milionário e Consequências
O assalto ao Louvre, ocorrido em outubro do ano passado, resultou em um prejuízo de aproximadamente 100 milhões de dólares (cerca de R$ 550 milhões). Até o momento, as outras joias roubadas continuam desaparecidas, mas a coroa foi deixada para trás, chamando a atenção dos investigadores. A segurança do museu, a mais visitada do mundo, tem sido objeto de intensas críticas desde o incidente, levando à implementação de novas medidas de segurança.
De acordo com o administrador-geral adjunto do Louvre, Francis Steinbock, uma grade de proteção será reinstalada antes do Natal, como parte das medidas emergenciais para evitar novos assaltos. A anterior havia sido removida durante um período de restauração em 2003-2004. Além disso, um sistema de câmeras de segurança com 100 unidades será instalado ao redor da instituição.
A Importância da Coroa da Imperatriz Eugénie
A coroa é considerada uma obra-prima e segue o modelo tradicional das coroas imperiais, apresentando uma estrutura com oito arcos em forma de águia, moldados em ouro cinzelado. Cada um desses arcos é adornado com palmetas incrustadas de diamantes, com a pedra maior centralizada em cada uma. As esmeraldas, que compõem o restante da joia, pertenceram a Napoleão III, o que confere um valor histórico ainda maior à peça.
Na Exposição Universal de 1855, a coroa recebeu uma medalha de prata, sendo exposta como um símbolo de esplendor e da habilidade dos joalheiros parisienses. Após o evento, a peça foi devolvida à imperatriz e legada à princesa Marie-Clothilde Napoléon, condessa de Witt. Em 1988, a coroa passou a integrar o acervo público francês graças ao colecionador Roberto Polo, que contribuiu para sua aquisição.
Reações e Movimentos dos Funcionários do Museu
Desde o roubo, os funcionários do Louvre expressaram preocupação com a segurança do local. Entre os dias 15 e 18 de dezembro, trabalhadores entraram em greve, exigindo melhores condições laborais e recursos adicionais para garantir a segurança das obras. Em janeiro, a administração do museu anunciou um aumento de 45% nas tarifas de entrada para visitantes não europeus, medida que também gerou discussões sobre a administração do espaço.
A presidente do Louvre, Laurence de Cars, reafirmou seu compromisso com a segurança, garantindo que as novas medidas serão implementadas rapidamente para proteger tanto as obras quanto os visitantes. O roubo das joias da coroa é um lembrete da fragilidade da segurança em instituições de arte e da necessidade de um planejamento contínuo para salvaguardar essas relíquias.
