O Colapso da Ordem Mundial
A frase atribuída ao teórico marxista Antonio Gramsci, “O velho morre e o novo não pode nascer; neste interregno surgem os fenômenos mórbidos mais diversos”, ressoa com força no cenário político atual. Desde 1945, a ordem mundial que conhecemos está em estado crítico, e novos modos de operação estão surgindo, embora não sejam propriamente inovadores. O que se delineia é uma configuração política familiar para os estudiosos das relações internacionais, pautada pela realpolitik, pelo imperialismo e por uma corrida armamentista que se intensifica em um sistema multipolar.
Atualmente, o termo realpolitik, que era restrito à academia, ganha destaque nas análises políticas cotidianas. É inegável que essa abordagem, que fundamenta a política no uso da força, nunca foi completamente abandonada. Embora tenha coexistido com algumas limitações legais ao uso da violência, o que se observa agora é um ressurgimento de uma política agressiva e sem pudores.
A decadência do soft power dos Estados Unidos é um fator central nesse contexto. Após décadas de intervenções mal sucedidas e de um consenso de Washington que promoveu degradação social, as instituições democráticas enfrentam fissuras cada vez mais profundas, especialmente em países que historicamente foram aliados da superpotência. A interconexão entre a política interna e externa é notável; a erosão do welfare state contribui para a destruição dos mecanismos legais que restringem o uso da força.
Num cenário multipolar, a presença de líderes antidemocráticos potencializa os riscos de conflitos. O aumento das interações entre potências rivais, como EUA, China e Rússia, eleva as chances de confronto. A atual fase da política internacional, portanto, acena com a possibilidade de uma nova era de tensões e conflitos.
