Desafios da Abstenção e Recall na Eleição Suplementar do Rio
A realização de uma eleição suplementar, com o objetivo de escolher um novo governador do Rio até o final de 2026, traz à tona desafios significativos para os candidatos mais cotados, como Eduardo Paes (PSD), ex-prefeito do município, e Douglas Ruas (PL), deputado estadual. Um dos principais obstáculos que eles enfrentarão é a elevada taxa de abstenção, que tem se mostrado superior à média das eleições convencionais, além do impacto do chamado “recall” em disputas anteriores.
Desde 2013, diversas eleições suplementares realizadas no Brasil mostram que a abstenção tende a ser maior nesses pleitos do que nas votações comuns, marcadas para outubro. Esse é um padrão que preocupa, especialmente para candidatos que pretendem conquistar a confiança do eleitorado em um momento de incertezas políticas e econômicas. Além disso, a experiência de corridas eleitorais passadas indica que aqueles que já tiveram acesso à máquina pública frequentemente têm uma vantagem competitiva.
Um exemplo notório ocorreu em 2018 no Tocantins, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou a chapa do então governador Marcelo Miranda (MDB) por captação ilícita de recursos, obrigando os eleitores a se dirigirem às urnas em um pleito suplementar em junho. Naquela ocasião, a abstenção alcançou 30% no primeiro turno e 35% no segundo, que foi vencido por Mauro Carlesse — então presidente da Assembleia Legislativa, que já ocupava interinamente o cargo após a cassação de Miranda. Essa situação reflete um padrão que pode se repetir no Rio, considerando que o estado possui um histórico preocupante de abstenções elevadas.
Em 2022, por exemplo, mais de 22% dos eleitores fluminenses não compareceram para votar, o que representa o terceiro maior índice de abstenção do país. Essa realidade poderia ter um impacto negativo para candidatos que não contarem com estratégias eficazes para engajar o eleitorado.
Além das dificuldades associadas à abstenção, o recall — mecanismo que permite ao eleitor revogar o mandato de um político em exercício — também adiciona uma camada de complexidade à corrida eleitoral. Essa é uma realidade que o atual governador e os pré-candidatos precisarão considerar, já que a desconfiança em relação aos políticos pode influenciar a decisão dos eleitores. Em uma época marcada por escândalos e crises de confiança, a capacidade de cativar a base eleitoral será crucial para a sobrevivência política dos cotados.
Os desafios que surgem no horizonte são claros. Candidatos que já administraram a máquina pública, como Eduardo Paes, têm a seu favor a experiência, mas também enfrentam o peso de um legado que pode ser questionado por eleitores insatisfeitos. Douglas Ruas, por outro lado, terá que trabalhar para se firmar como uma alternativa viável, fugindo da sombra dos antigos governantes e buscando novas abordagens que ressoem com a população.
Com a eleição suplementar se aproximando, as estratégias políticas precisam ser ajustadas para lidar com essas questões prementes. O engajamento da população será fundamental para conter a abstenção, e a construção de uma narrativa sólida será crucial para atenuar os riscos associados ao recall. Os próximos meses prometem ser intensos para os candidatos e seus apoiadores, enquanto todos buscam se preparar para as urnas em um cenário que pode ser imprevisível, mas que, ao mesmo tempo, abre espaço para inovações e novas propostas.
