Pressão da Demanda e Tarifas
No próximo ano, a economia da Suíça deverá enfrentar desafios significativos, particularmente devido à diminuição da demanda interna e à incerteza gerada pelas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos. Após se manter estável em 2025, com um crescimento modesto nos salários e na demanda interna, a situação poderá mudar drasticamente.
Para 2025, as estimativas indicam que a demanda interna deve crescer cerca de 1,4% e a taxa de desemprego pode cair para 2,9%. Os salários reais, por sua vez, tiveram um aumento de 0,7% em 2024, e o Departamento Federal de Estatística (FSO) projeta que essa tendência positiva continuará. O Produto Interno Bruto (PIB) é esperado crescer entre 1,3% e 1,4% em 2025, conforme indicam os especialistas, apesar das incertezas em torno das tarifas de 39% anunciadas pelo governo Trump para as exportações suíças.
Em resposta, em novembro, a Suíça firmou um acordo para reduzir essa tarifa para 15%, em harmonia com os países vizinhos, embora a implementação ainda esteja pendente. Esse acordo poderia oferecer um certo alívio para os setores relojoeiro e farmacêutico, que estão sob pressão.
Impacto das Tarifas no Crescimento do PIB
O impacto negativo das tarifas se tornou evidente, com a economia suíça encolhendo 0,5% no terceiro trimestre de 2025, especialmente afetando a indústria química e farmacêutica, que viu uma queda de 7,9% durante os meses de julho a setembro. Para 2026, economistas antecipam que o crescimento do PIB poderá ser inferior a 1%, resultado de um mercado de trabalho restringido e incertezas em torno do novo acordo tarifário com os EUA. Segundo o UBS, a potencial deterioração do mercado de trabalho representa um risco significativo para a economia suíça.
Os analistas do UBS projetam que o impulso do comércio exterior em 2026 será limitado devido às tarifas dos EUA, mas também podem se beneficiar de uma recuperação na economia alemã. Em março de 2025, a Alemanha alterou sua Constituição para permitir o financiamento ilimitado da dívida pública, visando impulsionar gastos com defesa e infraestrutura, o que pode ter repercussões positivas para a economia suíça.
Setor Farmacêutico sob Pressão
O setor farmacêutico, crucial para a economia suíça, enfrenta desafios constantes. Embora os produtos farmacêuticos suíços tenham escapado das tarifas em 2025, o governo americano continua a usar as tarifas como alavanca nas negociações, pressionando as empresas a reduzir os preços dos medicamentos. Apesar disso, as ações das gigantes do setor, Roche e Novartis, apresentaram um crescimento impulsionado por boas vendas e resultados positivos em testes clínicos.
A Novartis, por exemplo, previu um crescimento nas vendas entre 5% e 6% anualmente até 2030. Contudo, os investimentos das farmoquímicas nos EUA têm gerado preocupações quanto à queda dos investimentos na Suíça, especialmente com a crescente concorrência de países como China e Dinamarca.
Indústria Relojoeira: Sinais de Recuperação
A indústria relojoeira suíça, que representa uma porção significativa das exportações do país, também passa por um período desafiador. Apesar da queda nas exportações de relógios para os EUA em 2024, a introdução das novas tarifas de 15% promete um alívio. Contudo, a recuperação do setor ainda dependerá do mercado chinês, que, após uma queda significativa, pode começar a mostrar sinais de recuperação em 2026.
As marcas de luxo, como Rolex e Cartier, estão se beneficiando de um leve crescimento nas vendas, o que indica que há espaço para recuperação. As expectativas de crescimento nas exportações para o mercado chinês são moderadamente otimistas, impulsionadas por uma base baixa de comparação.
Desafios no Setor Alimentício
Além disso, a indústria alimentícia experimenta um cenário complexo, onde os preços dos alimentos têm subido, em parte devido a condições climáticas adversas e altos custos de insumos. Apesar de previsões de estabilidade nos preços das matérias-primas, essa realidade não se reflete nos preços finais para os consumidores, que continuam elevados.
Com a recente redução das tarifas de importação dos EUA, espera-se que haja um respiro para a indústria alimentícia, embora os fabricantes permanecem cautelosos quanto aos prognósticos para 2026. A Nestlé, por exemplo, está planejando demitir funcionários para otimizar custos, enquanto outros fabricantes buscam alternativas para mitigar os altos custos das matérias-primas.
