Desempenho Preocupante dos Cursos de Medicina
Os resultados do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) de 2025, divulgados recentemente, apresentaram um quadro alarmante quanto à qualidade da formação médica no Brasil. Dentre os 350 cursos avaliados, 107 foram considerados insatisfatórios. Esta avaliação, com notas variando de 1 a 5, expõe as deficiências enfrentadas por diversas instituições de ensino superior, especialmente aquelas que receberam notas mais baixas.
Dos cursos avaliados, 24 receberam a nota 1, enquanto 83 alcançaram o conceito 2, qualificado como insuficiente. Em contrapartida, 80 cursos obtiveram a nota 3, 114 foram avaliados com conceito 4 e 49 conquistaram o conceito máximo de 5. A maioria dos cursos analisados (304) pertence ao Sistema Federal de Ensino, que abrange instituições públicas e privadas, sendo que 99 deles tiveram notas nas faixas 1 e 2.
Proposta do Governo para o Exame de Proficiência
A repercussão dos dados levou o governo federal a articular mudanças na legislação para que o Enamed seja empregado como um exame de proficiência, condicionando o registro de médicos recém-formados ao desempenho nesta avaliação. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que essa proposta visa não apenas a fiscalização da qualidade dos cursos, mas também o acompanhamento da trajetória do estudante ao longo de sua formação.
Padilha argumentou que a aplicação do exame em diferentes momentos do curso (segundo, quarto e sexto ano) contribui para uma avaliação mais precisa do progresso dos alunos. Ele ainda enfatizou que as mudanças propostas não se aplicariam à edição de 2025, uma vez que dependem de alterações legais, e respondeu às críticas de que o exame revelaria um colapso na formação médica.
“A maioria dos estudantes teve um desempenho positivo. Mesmo nas instituições que tiveram avaliações ruins, há alunos que se destacaram”, afirmou o ministro, reforçando que o foco deve ser a elevação da qualidade das instituições com baixo desempenho. Padilha indicou que os cursos que não mostrarem evolução poderão enfrentar restrições, como limitações na abertura de novas vagas e na realização de vestibulares.
Conselho Federal de Medicina e Críticas à Nova Proposta
A proposta de utilizar o Enamed como um exame de proficiência é apoiada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que considera a possibilidade de restringir o registro profissional para formandos com notas insuficientes. O conselho chamou a atenção para um “problema estrutural gravíssimo” na formação médica, principalmente em faculdades da rede privada e municipal, e levantou a preocupação de que cerca de 13 mil estudantes graduados em cursos com conceitos 1 e 2 poderiam ser afetados.
Entretanto, a iniciativa não é unânime. A Abramepo (Associação Brasileira de Médicos Pós-Graduados) criticou a proposta, considerando-a uma “usurpação de funções” e “oportunismo midiático”. A entidade argumenta que a reprovação de 30% dos cursos sinaliza uma precarização do ensino e defende a necessidade de uma vigilância estatal mais eficaz. “Não se pode permitir que uma autarquia de classe atue como um segundo filtro acadêmico, extrapolando suas atribuições”, declarou a associação.
Resultados por Região
O desempenho dos cursos de medicina varia significativamente entre as diferentes regiões do Brasil. Na Região Norte, por exemplo, a Universidade Federal do Acre obteve nota 4, enquanto o Centro Universitário Uninorte ficou com nota 1. Já na Região Sudeste, a Universidade Federal do Espírito Santo se destacou com nota 5, contrastando com a Faculdade Municipal Professor Franco Montoro, que recebeu nota 1.
As disparidades regionais refletem a desigualdade na qualidade do ensino médico no país e reforçam a necessidade de ações efetivas para elevar o nível de formação. À medida que o debate sobre a qualidade da formação médica se intensifica, as instituições e o governo enfrentam a responsabilidade de promover melhorias que garantam uma formação adequada e ética para os futuros médicos do Brasil.
