Capacitação em Educação Antirracista
A ausência de formação adequada para os educadores sobre a história e cultura afro-brasileira e indígena no Brasil destaca uma preocupante negligência estrutural no sistema educacional. Isso, por sua vez, compromete a criação de um ambiente escolar antirracista, limitando o acesso dos alunos a conteúdos curriculares completos e representativos. Além disso, a falta de materiais didáticos específicos e a desinteresse de algumas gestões públicas agravam a situação.
Desde 2003, com a implementação das Leis 10.639/03 e 11.645/08, o ensino da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas de ensino fundamental e médio tornou-se obrigatório. Contudo, a adoção efetiva dessas legislações ainda enfrenta diversos desafios.
Em resposta a esse cenário, o município do Rio de Janeiro, por meio da Gerência de Relações Étnico-raciais (GERER), da Secretaria Municipal de Educação, lançou o curso Território Educador. Essa iniciativa oferece formações direcionadas a educadores da rede, com o objetivo de promover a equidade racial na educação e fornecer ferramentas que ajudem a construir práticas pedagógicas inclusivas. O programa também reconhece o Currículo Carioca como um importante instrumento de combate ao racismo.
O Território Educador é fruto de uma parceria com o Projeto SETA (Sistema de Educação por uma Transformação Antirracista), que visa transformar as escolas públicas do Brasil em um ambiente mais justo e socialmente responsável. A especialista em Educação do SETA, Karoline Kass, enfatiza a importância desta formação ao afirmar: “Essa iniciativa é uma estratégia para fortalecer políticas públicas na rede municipal de ensino, ampliando o diálogo entre as coordenações regionais e as unidades escolares”.
Impacto do Programa e Benefícios às Escolas
O programa é estruturado em dez módulos que abrangem temas relevantes para a implementação de uma educação antirracista. Entre os tópicos abordados estão: o fomento institucional para ações nas escolas, conceitos fundamentais sobre relações étnico-raciais e os impactos do racismo sobre as populações negra e indígena. Até o momento, as duas primeiras turmas do curso, previstas para 2024 e 2025, formaram cerca de 1.300 educadores, beneficiando diretamente mais de 50 mil alunos da rede pública.
Joana Oscar, coordenadora da GERER, ressalta a importância do programa: “Estamos falando da maior rede pública da América Latina, composta por 1.557 unidades. Esse tipo de formação não é apenas sobre assistir aulas; os educadores se tornam multiplicadores do conhecimento, impactando a escola e a comunidade ao redor.”
A Escola GET Lins de Vasconcelos, localizada na Zona Norte do Rio, também está engajada nessa formação antirracista. Cristine Santos da Fonseca, coordenadora pedagógica da instituição, participou do programa e destaca que a capacitação é essencial para aprimorar os conhecimentos sobre as leis que regulamentam a educação antirracista. “Discutir temas antirracistas é fundamental para valorizar a autoestima dos alunos e promover o pertencimento”, ressalta. Ela acredita que a formação contínua é a chave para implementar efetivamente essas práticas nas salas de aula do sistema público de ensino.
A busca por uma educação mais inclusiva e antirracista no Rio de Janeiro representa um passo importante na construção de um ambiente escolar que respeita e valoriza a diversidade. Com mais de 1.300 educadores capacitados, o município dá um exemplo de como a formação pode transformar realidades e promover a equidade racial nas escolas.
