Eleições Antecipadas em Kosovo
No último domingo (28), o Kosovo foi às urnas para eleições legislativas antecipadas, uma solução encontrada pelos partidos profundamente divididos após meses de estagnação política. O atual primeiro-ministro, Albin Kurti, do partido Vetëvendosje (VV), é visto como o favorito, mesmo após não ter conseguido formar uma coligação durante o prolongado período de crise.
O impasse, que se arrastou por mais de sete meses, ocorreu após Kurti, que venceu as eleições em fevereiro, não conseguir negociar acordos com outras legendas para formar um governo. Em decorrência disso, a presidente do Kosovo, Vjosa Osmani, decidiu convocar novas eleições. “Há talvez muitas mágoas políticas, e eles não querem votar na pessoa que Albin Kurti propôs”, disse Genta, uma jovem de 26 anos que reside em Pristina.
Apesar da vantagem de Kurti, há um sinal claro de que o apoio ao partido nacionalista albanês, que havia conquistado a maioria das eleições legislativas de 2021, está em declínio. O Vetëvendosje, que havia contado com o apoio dos jovens na vitória anterior, enfrenta descontentamento entre esse grupo, insatisfeito com a falta de cumprimento das promessas de campanha.
Prometendo focar em “problemas reais”, como desemprego e serviços sociais, a administração de Kurti acabou se concentrando em conflitos com os municípios de maioria sérvia no norte do país e nas tensões diplomáticas com Belgrado. Em fevereiro, Kurti recebeu cerca de 42% dos votos e espera que o número aumente com o retorno de parte da população ao Kosovo para as festividades de fim de ano.
Questões Diplomáticas e Históricas
Além de escolher a nova composição do Parlamento kosovar, as eleições deste domingo também são impactadas por questões diplomáticas, especialmente em relação à Sérvia, que se recusa a reconhecer a independência do Kosovo, declarada em 2008. O Kosovo abriga uma população de aproximadamente 1,8 milhão de habitantes, a maioria de origem albanesa, mas também contém cerca de 120 mil sérvios que consideram o território como seu berço nacional e religioso.
Esse grupo minoritário, incentivado por Belgrado, se recusa a reconhecer a autoridade de Pristina, resultando em frequentes conflitos e manifestações, principalmente na região norte, próxima à fronteira com a Sérvia.
Concorrentes de Albin Kurti
Os partidos que compõem a oposição são liderados pelo Partido Democrático do Kosovo (PDK) e a Liga Democrática do Kosovo (LDK), que buscam se afirmar como a segunda e a terceira maiores forças políticas, respectivamente, ao final das eleições. Ambas as coligações já manifestaram interesse em formar uma aliança para assumir o poder de Kurti.
O PDK, sob a liderança de Bedri Hamza, economista e novo presidente do partido, é considerado o principal rival de Kurti. Hamza, de 62 anos, formou-se em Economia pela Universidade de Pristina e iniciou sua carreira como chefe de contabilidade e finanças em Mitrovica. Retornando agora como prefeito, sua experiência é vista como crucial para estabelecer a confiança com a minoria sérvia.
Por outro lado, Lumir Abdixhiku, de 42 anos, preside a Liga Democrática do Kosovo (LDK) e é o candidato mais jovem da eleição, embora o partido seja o mais antigo do país. Economista com doutorado pela Universidade de Staffordshire, Abdixhiku já havia atuado como ministro da Infraestrutura em 2020. Com a LDK ocupando a terceira maior posição em termos de cadeiras, pode desempenhar um papel decisivo nas eleições, já que tanto a esquerda quanto a direita estão atentas à possibilidade de aliança com a legenda. A coalizão que representa a população sérvia em Kosovo, a Lista Sérvia, também deve garantir as quatro cadeiras reservadas a essa minoria no Parlamento.
