Análise das Novas Regras Comerciais
Como uma observadora atenta do agronegócio, especialmente por meio de minha experiência no Parlamento Italiano, é inegável que o setor agropecuário é um dos pilares econômicos do Brasil e da América Latina. O crescimento contínuo do agronegócio na região se vê impulsionado por inovações, vastas áreas agricultáveis e uma demanda crescente mundial por produtos como soja, carne e etanol. No entanto, essa trajetória de expansão enfrenta novos desafios impostos por acordos comerciais e regulamentações internacionais.
Recentemente, o agronegócio brasileiro alcançou um marco histórico, com exportações superando US$ 169 bilhões em 2025. Destaca-se a China como o principal destino das exportações, mas não é a única que exerce influência. Países vizinhos como Argentina, Paraguai e Uruguai também têm se beneficiado do crescimento do setor, reflexo de investimentos estratégicos e modernização de processos. Contudo, desafios persistem, como mudanças climáticas e flutuações de preços que exigem adaptação e inovação constantes para garantir a competitividade.
Acordo União Europeia-Mercosul: Oportunidades e Desafios
O acordo entre a União Europeia e o Mercosul, finalmente aprovado após 25 anos de negociações, abre novas portas para o agronegócio latino-americano. Este pacto de livre comércio promete eliminar tarifas em mais de 90% das linhas tarifárias, permitindo um aumento significativo nas exportações ao mercado europeu. No entanto, esse crescimento virá acompanhado de restrições. Produtos sensíveis, como carne bovina e açúcar, terão limites de exportação que, se ultrapassados, resultarão em tarifas adicionais.
Essas mudanças foram impulsionadas pela pressão de agricultores europeus, que temem a concorrência. Portanto, para se manter relevante e competitivo, o agronegócio da América Latina deve se concentrar em conformidade regulatória, investindo em práticas sustentáveis e na adequação a normas rigorosas, como as do European Union Deforestation Regulation.
O Papel Fundamental da China e a Necessidade de Diversificação
A China continua a ser um parceiro vital para as exportações agropecuárias da América Latina, com o Brasil exportando mais de US$ 60 bilhões em produtos agrícolas em 2023. No entanto, a crescente adoção de medidas protecionistas por Pequim, como a limitação de importação de carne bovina, representa um desafio significativo. Essa dependência pode ser arriscada, especialmente se a relação comercial se deteriorar.
Portanto, a diversificação de mercados se torna crucial. Investir no processamento local e atender às exigências de qualidade e rastreabilidade exigidas pela China são medidas que podem ajudar a mitigar os riscos associados à dependência de um único parceiro comercial.
Um Futuro Sustentável e Responsável
Apesar dos desafios, o agronegócio brasileiro e latino-americano possui um potencial considerável para se destacar no fornecimento global de alimentos. A capacidade de adaptação às novas exigências comerciais e normativas será fundamental para assegurar uma trajetória de crescimento sustentável. Para isso, a colaboração entre os governos e o setor produtivo é essencial. A criação de um ambiente favorável à inovação e à sustentabilidade deve ser uma prioridade.
Defendo, portanto, que a adaptação às novas regras deve ser vista como uma oportunidade e não apenas um custo. Essa visão estratégica ajudará a consolidar a imagem da América Latina como uma fornecedora confiável e moderna no cenário internacional. O futuro do agronegócio na região é promissor, mas exige decisões rápidas e um planejamento eficaz para enfrentar os desafios que estão por vir e garantir a posição de liderança no mercado global.
