O Processo Criativo por Trás das Ilusões
No Carnaval de 2026, a magia invadiu a Sapucaí com a apresentação da Imperatriz Leopoldinense, que homenageou o icônico cantor Ney Matogrosso. Sob o enredo ‘Camaleônico’, o desfile surpreendeu o público com ilusões impressionantes. Entre elas, um espetáculo de teletransporte, onde um artista que representava Ney desaparecia em um piano apenas para reaparecer magicamente no topo de um carro alegórico.
Felipe Barbieri, um mágico de Jaú (SP), foi convidado para ser consultor e produtor de efeitos especiais para o evento. Em entrevista ao g1, ele compartilhou detalhes sobre os bastidores da produção. ‘A escola me procurou em outubro de 2025 e, em novembro, já estávamos com uma equipe montada e em reuniões criativas para desenvolver o espetáculo em colaboração com o coreógrafo Patrick Carvalho’, contou.
Com um samba-enredo que personifica Ney como uma figura mística e adaptável, a escolha do ilusionismo se mostrou perfeita para ilustrar o caráter ‘camaleônico’ do artista. Barbieri detalhou as quatro ilusões que compuseram a apresentação: ‘Usamos técnicas como trocas em espelhos e uma arara de roupas, além das mesas com cabeças vivas, tudo produzido no barracão da Imperatriz na Cidade do Samba.’
O Desafio de Levar a Magia a Sapucaí
Para garantir o sucesso do ‘desaparecimento’ do cantor, Barbieri precisou viajar a Las Vegas para se encontrar com dois renomados ilusionistas: David Copperfield e Criss Angel. ‘Foi uma viagem de última hora, mas necessária para trazer a tecnologia que precisávamos para o Brasil’, revelou o mágico, que compartilhou vídeos de sua jornada até a famosa cidade americana.
O desafio de criar um número que exaltasse Ney Matogrosso era imenso. ‘Nosso objetivo era apresentar um final apoteótico. O resultado foi tão surpreendente que a transmissão e filmagens da plateia mal conseguiram capturar o momento do teletransporte’, relembra Barbieri, visivelmente emocionado com a experiência.
Superando Obstáculos e Unindo Talentos
Felipe Barbieri considerou levar seu trabalho à Marquês de Sapucaí um grande desafio. ‘Um espetáculo desse porte envolve uma série de fatores que não encontramos ao realizar mágicas em podcasts, televisão ou teatros’, explicou. Segundo ele, o carnaval exige uma coordenação precisa entre dançarinos, coreografia, movimentos de carros alegóricos, além de considerar as condições climáticas que podem impactar a apresentação.
Para garantir a qualidade da performance, Barbieri reforçou a importância de contar com uma equipe de profissionais destacados. ‘Henri Sardou ficou responsável pela produção, enquanto Mateus Laurini desenvolveu as ilusões e coordenou os ensaios. Lucas Toledo e Bernardo Sedlacek também contribuíram para que tudo saísse perfeitamente’, disse.
Desafios do Ilusionismo no Brasil
Barbieri não esconde as dificuldades que enfrenta ao trabalhar com ilusionismo no Brasil. ‘É muito complicado encontrar palcos adequados. Durante a última década, eu mesmo produzia shows em eventos beneficentes em Jaú. O que mais desejo é ter um espaço para mostrar a arte mágica’, desabafou.
Ele também abordou os desafios enfrentados por artistas que desejam impressionar o público com suas ilusões. ‘Faltam locais com a estrutura necessária para que possamos apresentar nossos melhores efeitos. Precisamos sempre nos adaptar’, explicou Felipe.
No Carnaval de 2026, a magia se tornou uma peça central do desfile da Imperatriz Leopoldinense, destacando-se como um dos elementos mais emocionantes da apresentação. ‘O maior espetáculo da terra teve uma comissão de frente toda ancorada em números de mágica. Criar isso foi uma experiência verdadeiramente mágica!’, concluiu o artista.
