O papel da cultura na sociedade contemporânea
À frente da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativa do Estado de São Paulo, Marilia Marton Correa tem se destacado pela sua trajetória focada na gestão pública e na conexão entre os setores da cultura, inovação e desenvolvimento urbano. Desde o início de sua carreira, sua atuação foi marcada pela evolução do conceito de cultura, que, atualmente, abrange não apenas as artes tradicionais, mas também abrange áreas como tecnologia, design e economia criativa. Para Marilia, a capacidade de se adaptar às mudanças tecnológicas e a necessidade de políticas públicas flexíveis são fundamentais para garantir que a cultura continue a desempenhar sua função de formação crítica.
Marilia Marton nasceu em 23 de julho, em São Paulo, e atualmente reside no Bom Retiro. Formada em Sociologia, a secretária tem uma trajetória que começou na Assembleia Legislativa, onde iniciou sua carreira política. “Entrei para a faculdade em 1997 e, em 1999, já estava trabalhando com o deputado Turco Loco, que se dedicava às áreas de esporte, cultura e juventude”, recorda. Essa experiência inicial a levou a compreender a importância da comunicação na esfera pública, embora seu desejo fosse ser especialista em política.
A experiência em São Caetano e suas influências
Antes de assumir a secretaria estadual, Marilia teve um papel importante na administração de São Caetano. Sua vivência na cidade a fez refletir sobre como uma localidade, que já apresenta bons indicadores, pode se adaptar aos desafios contemporâneos. Durante esse período, Marilia obteve seu mestrado em cidades inteligentes, o que a ajudou a entender melhor a dinâmica das regiões, especialmente do Grande ABC, uma área historicamente ligada à indústria, mas que hoje enfrenta a necessidade de inovação diante das novas tecnologias.
Desenvolvendo políticas culturais inclusivas
Marilia destaca o ProAC (Programa de Ação Cultural) como uma das iniciativas mais eficazes para democratizar o acesso à cultura no Estado. “Ampliamos o ProAC, que é o principal programa de fomento cultural do Estado, e estimulamos co-produções entre empresas da Capital e do Interior, criando núcleos criativos em várias regiões”, explica. A secretária também menciona que as atividades culturais alcançam atualmente todos os 645 municípios paulistas, um avanço significativo para a cultura em toda a região.
Equilibrando investimentos culturais
Confrontada com o desafio de equilibrar os investimentos culturais entre a Capital e o Interior, Marilia compartilha que foram implementadas várias estratégias, incluindo o aumento do fomento e a promoção de produções cinematográficas em diversas cidades. “O objetivo é estimular a produção cultural fora da Capital”, enfatiza.
Novas abordagens para uma cultura contemporânea
Assumir a secretaria em um momento em que a cultura se expande para incluir novas linguagens, como games e cultura pop, foi um desafio. Marilia, que já conhecia a estrutura da Pasta desde seu período anterior, buscou amadurecer o entendimento sobre o que é cultura atualmente. “Hoje em dia, cultura não é apenas teatro, música ou cinema. Ela abrange também design, moda, gastronomia e publicidade”, menciona, ressaltando a importância da adaptação às novas expressões culturais.
O potencial da economia criativa
A secretária também acredita que a cultura possui uma vasta cadeia produtiva. “Um espetáculo de teatro envolve não só o ator, mas uma série de profissionais, como iluminadores, figurinistas e sonoplastas”, enfatiza. Em resposta à perda de mão de obra especializada após a pandemia, Marilia criou o CultSP Pro, um programa que visa formar novos profissionais para o setor cultural.
Tecnologia e preservação cultural
A digitalização de acervos culturais tem sido um foco importante para Marilia. O uso de novas tecnologias não apenas amplia o acesso à cultura, mas também contribui para a preservação do patrimônio cultural. “Estamos constantemente pesquisando tecnologias que possam democratizar e preservar nosso rico patrimônio”, afirma.
Fortalecendo a identidade cultural do Grande ABC
Considerando a forte tradição cultural do Grande ABC, especialmente em relação ao movimento operário, Marilia destaca a importância de parcerias. “A Fundação das Artes em São Caetano e as Fábricas de Cultura em Diadema e São Bernardo são exemplos de como o Estado está se empenhando para fortalecer as identidades culturais locais”, explica. O programa CultSP Pro também busca atender as vocações culturais de cada cidade, realizando pesquisas para entender as necessidades locais e desenvolvendo cursos de acordo com cada contexto.
Cultura na educação e formação crítica
A presença da cultura na educação é defendida por Marilia como essencial para formar cidadãos críticos e criativos. Estudos recentes, realizados em parceria com a Fundação Itaú e outras instituições, mostram que crianças envolvidas em atividades musicais superam em aprendizado aquelas que não participam. “Estamos integrando cada vez mais a cultura nas escolas, ampliando o Projeto Guri e introduzindo novas práticas culturais”, comenta.
A cultura como agente de transformação social
Marilia afirma que a cultura tem o poder de romper bolhas sociais e promover diversidade. “Em um mundo onde redes sociais criam bolhas, a cultura é o caminho para ampliar o repertório das pessoas e desafiá-las a ver o mundo de forma mais ampla”, conclui. Essa é a missão de quem trabalha com cultura: fomentar o pensamento crítico e a diversidade de olhares sobre a realidade.
Olhando para o futuro, Marilia reconhece que a cultura está em constante transformação e que seu sucessor enfrentará novos desafios. A agilidade para acompanhar mudanças tecnológicas, como a Inteligência Artificial, será crucial para o desenvolvimento do setor. “É imperativo que tenhamos flexibilidade para não ficarmos para trás em relação às transformações que estão acontecendo”, finaliza.
