Ações do SUS em Tempos de Conflito
O Ministro da Saúde, Marcelo Padilha, foi o primeiro integrante do alto escalão do governo brasileiro a manifestar-se sobre os recentes ataques do governo dos Estados Unidos à Venezuela. Na manhã deste sábado, uma reunião de emergência foi convocada para debater a situação, incluindo a captura do presidente Nicolás Maduro. Fontes do Itamaraty indicaram que a prioridade é coletar informações detalhadas sobre a operação antes de qualquer posicionamento oficial.
“Desde o início das operações militares nas imediações do país vizinho, estruturamos nossa Agência do SUS, a Força Nacional do SUS e as equipes de Saúde Indígena, para que possamos mitigar, ao máximo, os impactos do conflito na saúde e no SUS brasileiro. Que venha a PAZ! Enquanto isso, faremos o que for necessário para cuidar de quem precisar de assistência em solo brasileiro”, destacou Padilha.
Preocupação com a Crise Humanitária
Como reportado pela colunista Janaína Figueiredo, do GLOBO, o governo brasileiro já previa um potencial ataque dos EUA à Venezuela há semanas. A situação levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a viajar à Colômbia, no intervalo entre a Cúpula de Líderes de Belém e a realização da COP30. Durante sua visita, Lula participou de uma reunião com líderes de países da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), enfatizando a importância de manter a América Latina como uma zona de paz. Essa preocupação foi reforçada por uma ligação de Lula para Maduro nos primeiros dias de dezembro.
A fronteira entre Brasil e Venezuela se estende por mais de 2 mil quilômetros, abrangendo os estados de Roraima, com a passagem mais movimentada entre Pacaraima e Santa Elena de Uairén, e Amazonas. Desde o início da crise migratória venezuelana, em 2013 — ano em que Maduro assumiu a presidência sob denúncias de fraude —, o Observatório da Diáspora Venezolana estima que cerca de 9,1 milhões de pessoas deixaram o país. Atualmente, segundo a Agência da ONU para Refugiados (Acnur), a Venezuela abriga o maior número de refugiados do mundo, com 6,3 milhões de pessoas, superando inclusive a Síria.
Diálogo e Mediação em Tempos de Tensão
Nos últimos meses, Lula tem buscado atuar como mediador na crescente tensão entre os EUA e a Venezuela. Em entrevista a jornalistas no dia 18 de dezembro, ele defendeu a importância do diálogo para evitar uma “guerra fratricida” na região, mencionando que tentaria conversar com Donald Trump sobre a situação antes do Natal. Contudo, não há confirmação de que essa conversa tenha ocorrido.
O ataque à Venezuela foi anunciado por Trump através de suas redes sociais, onde afirmou que forças americanas realizaram um “ataque de grande escala” contra o país sul-americano. Detalhes adicionais seriam revelados em uma coletiva de imprensa agendada para as 13h (horário de Brasília) em Mar-a-Lago, na Flórida. Contudo, o presidente dos EUA não esclareceu para onde Maduro foi levado nem sob qual base legal a captura ocorreu.
Relatos das Explosões e Reações na Venezuela
Vídeos compartilhados em redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos EUA sobrevoando Caracas durante a madrugada deste sábado, enquanto múltiplas explosões iluminavam o céu da capital venezuelana. Relatos ainda não confirmados indicam que aeronaves CH-47G Chinook, projetadas para operações secretas, teriam participado dos ataques, que afetaram estados como Miranda, Aragua e La Guaira, além de Caracas.
De acordo com testemunhas locais, pelo menos sete explosões e os ruídos de sobrevoos de aviões foram registrados em Caracas por volta das 2h. Fontes locais contatadas pelo GLOBO relataram que um dos alvos foi a base militar de La Carlota, da Força Aérea da Venezuela, e o Forte Tiuna.
As explosões ocorreram em um contexto em que o presidente dos EUA, Donald Trump, havia enviado uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionando a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmando que os dias de Nicolás Maduro no poder estavam contados.
