Desafios e Oportunidades no Setor Agropecuário
O governo federal finalmente divulgou os compromissos estabelecidos no Plano Clima, visando a diminuição das emissões de gases do efeito estufa, um passo positivo, embora muitos especialistas considerem que a ambição poderia ser maior. É um fato alarmante que cerca de 70% das emissões que contribuem para o aquecimento global no Brasil tenham origem no setor agropecuário, que frequentemente se opõe a medidas mais rigorosas para a mitigação dos impactos climáticos.
A ausência de um consenso entre as pastas da Agricultura e do Meio Ambiente, a respeito de políticas para enfrentar a emergência climática, tem sido uma constante no governo. Um ponto preocupante é que, apesar do agronegócio ser um dos setores mais vulneráveis aos efeitos de eventos climáticos extremos, vários representantes deste segmento lutam contra a necessidade de responsabilizar-se adequadamente no que diz respeito às suas emissões.
As novas metas estabelecidas pelo governo, que visam o cumprimento dos compromissos do Acordo de Paris de 2015, incluem a redução de 59% a 67% das emissões de carbono até 2035, tomando como base o ano de 2005. Com esses objetivos, o Brasil busca oferecer uma contribuição significativa no combate às mudanças climáticas.
No entanto, isso exige uma redução de 49% a 58% das emissões em comparação a 2022, um desafio enorme, considerando-se que a agropecuária continua a ser a principal fonte de poluição. O desmatamento para a criação de gado e a expansão das culturas agrícolas são apontados como os grandes responsáveis por essas emissões.
A Luta pelo Desmatamento Zero
Apesar dos retrocessos nos anos anteriores, houve avanços recentes, particularmente sob a gestão de Marina Silva, que resultaram em uma queda nas taxas de desmatamento. Contudo, a meta de zerar o desmatamento ilegal em todos os biomas até 2030 é uma tarefa colossal e, embora desafiadora, não é impossível. A condição essencial é que as diferentes áreas do governo atuem em conjunto, e não em desacordo.
Uma mudança significativa no Plano Clima foi a inclusão de uma divisão clara entre os desmatamentos em áreas privadas e públicas, além de compromissos específicos para a agropecuária, que abordam questões como a utilização de fertilizantes e as emissões decorrentes da fermentação entérica do gado. Essa segmentação de responsabilidades entre os Ministérios do Meio Ambiente, Agricultura e Desenvolvimento Agrário pode facilitar a implementação das medidas necessárias.
Entretanto, a maior carga de responsabilidade recairá sobre o Ministério do Meio Ambiente, que terá que lidar com a tarefa de reduzir as emissões em mais de 150% até 2035. Isso envolve não apenas a eliminação das emissões, mas também a adoção de práticas que promovam o sequestro de carbono, por meio da regeneração da vegetação.
Expectativas e Preocupações para o Futuro
Nas propriedades privadas, a meta de redução será mais modesta, com um foco na diminuição de 110%. Para as atividades agropecuárias em si, foi estabelecido um compromisso que pode variar entre uma diminuição de 7% e um aumento de até 2%.
Um aspecto que gera preocupação é o aumento previsto das emissões no setor energético, que pode variar de 1% a 44%. Essa projeção sugere que pressões de outros lobbies, como os que defendem a exploração de carvão e o uso de termelétricas, estão em jogo. Essa situação evidencia uma falta de ambição nas metas propostas, o que requer atenção cuidadosa da sociedade e dos formuladores de políticas. A questão, portanto, é como equilibrar as pressões do agronegócio com a necessidade urgente de ação climática, uma tarefa que exige diálogo e comprometimento de todas as partes envolvidas.
