Desafios em Saúde e Educação no DF
Com as eleições se aproximando, o Distrito Federal enfrenta uma série de pendências para este ano, especialmente em áreas críticas como saúde e educação. O ano de 2025 foi marcado por severos cortes orçamentários e falhas estruturais, e a atenção do governo precisa se voltar para esses dois setores fundamentais.
O direito à cidade também foi tema importante, especialmente com a aprovação do Plano de Ordenamento Territorial (Pdot) e do programa Tarifa Zero, que visam tornar o transporte público mais acessível. Contudo, a implementação dessas iniciativas levantou questões sobre a quem realmente pertence a cidade, em meio a derrubadas de ocupações e a contestação de direitos urbanos.
Recentemente, um escândalo financeiro envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) expôs a gestão inadequada dos recursos públicos pelo Governo do Distrito Federal (GDF). O Brasil de Fato DF conversou com líderes de sindicatos, movimentos sociais e parlamentares, que analisaram o ano anterior e trouxeram suas expectativas para 2026, um período que promete ser ainda mais turbulento e competitivo no cenário político.
Crise na Saúde: Um Setor em Colapso
O setor de saúde no Distrito Federal entrou em colapso em 2025, sem medidas eficazes para enfrentar a crise. Com um orçamento de R$13 bilhões no ano passado, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2026, aprovado pela Câmara Legislativa do DF (CLDF) em dezembro, prevê um corte de R$1,1 bilhão. Esse contingenciamento, especialmente em um ano eleitoral, agrava ainda mais a crise na saúde.
A superlotação nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAS) e hospitais é alarmante. A falta de profissionais, equipamentos e medicamentos agrava a já longa espera por atendimento. Um relatório da Secretaria de Saúde (SES) destaca que, no primeiro quadrimestre de 2025, a pasta contava com 32.122 trabalhadores, sendo que a maioria eram técnicos de enfermagem, representando 28% do total.
O Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal (Sindenfermeiros) afirmou que a falta de profissionais e a sobrecarga de trabalho levaram ao fechamento de leitos e à interrupção de serviços essenciais para a população dependente do Sistema Único de Saúde (SUS). Para 2026, a entidade ressalta a urgência de recompor o orçamento da saúde e garantir condições dignas de trabalho para os profissionais.
Educação: Cortes e Mobilizações
O setor educacional também não escapa da crise. Em 2025, a educação foi palco de intensos debates políticos, começando com uma greve significativa dos professores que revelou problemas estruturais nas escolas e a falta de servidores. Apesar das conquistas obtidas durante as mobilizações, como a garantia de nomeações de concursados, a situação continua desafiadora.
Para 2026, os investimentos para a educação foram fixados em R$5,1 bilhões, uma redução em relação aos R$5,4 bilhões do ano anterior, o que gerou uma forte oposição entre os educadores. O Sindicato dos Professores (Sinpro) critica a gestão atual, que prioriza a contenção de gastos em detrimento da qualidade da educação pública.
O ano também se destaca pela elaboração do Plano Distrital de Educação, com metas voltadas para garantir a efetividade dos acordos conquistados e enfrentar o contingenciamento. O fortalecimento da mobilização da categoria é essencial para garantir uma educação de qualidade.
Direito à Cidade e Moradia
A discussão sobre o direito à cidade ganhou força em 2025 com a aprovação de dois projetos na CLDF: o Tarifa Zero e o Pdot. O primeiro busca facilitar o acesso ao transporte público, especialmente para as comunidades mais vulneráveis. Entretanto, críticas surgiram quanto ao impacto do Pdot na especulação imobiliária e na moradia popular, que continua a ser um tema delicado na gestão do GDF.
O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) marcou a sua presença nas discussões ao criticar a política habitacional do DF, que ignora as necessidades de moradia para milhares de famílias. O coordenador do movimento, Eduardo Borges, ressaltou a contradição entre os interesses do mercado imobiliário e as realidades enfrentadas pelos trabalhadores.
Escândalo Financeiro: Implicações na Política Local
O escândalo financeiro envolvendo o Banco Master e o BRB foi um dos marcos de 2025. A tentativa de compra do Banco Master pelo BRB levantou suspeitas de gestão fraudulenta, resultando na Operação Compliance Zero, que culminou na prisão do dono do Master e no afastamento do presidente do BRB. O escândalo expôs a preocupante realidade da gestão pública e gerou um clamor por responsabilização política.
Apesar das tentativas de instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os desdobramentos da compra e a relação com o governo do DF, as iniciativas não tiveram sucesso em 2025, mas ainda há esperança de que isso aconteça em 2026. A oposição continua cobrando explicações e almeja trazer à tona a conexão entre o governo e as irregularidades financeiras.
O ano de 2026 promete trazer novos desafios e a necessidade de um engajamento mais forte da sociedade civil nas questões políticas do Distrito Federal.
