Controvérsias e Rebaixamento no Carnaval
A Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com um enredo no Carnaval 2026, agora enfrentará o rebaixamento do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Com essa decisão, a escola disputará a Série Ouro em 2027, que corresponde ao Grupo de Acesso. A agremiação já protocolou um recurso junto à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, buscando garantir seus direitos no processo de apuração dos desfiles.
A escola de samba abriu a primeira noite de desfiles na icônica Marquês de Sapucaí com uma apresentação que revisitou a trajetória política de Lula, durando 79 minutos. O enredo abordou desde sua infância no agreste pernambucano até seu terceiro mandato na presidência. Entretanto, a performance não se limitou a homenagens e incluiu críticas a figuras políticas contemporâneas, como o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Um Desfile Marcado por Críticas
O desfile da Acadêmicos de Niterói atraiu atenção nacional ao trazer uma comissão de frente com um personagem caracterizado como o palhaço “Bozo”, que fez gestos associados a Bolsonaro. Além disso, alegorias fizeram referências à pandemia de covid-19, lembrando as 700 mil mortes registradas no Brasil durante o período. Essa abordagem gerou forte repercussão, provocando críticas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, além de questionamentos por parte de parlamentares de direita.
Além disso, a ala chamada “neoconservadores em conserva” representou uma família tradicional dentro de uma lata estilizada, visando retratar diferentes grupos associados ao neoconservadorismo, incluindo setores do agronegócio e defensores da ditadura militar.
Recursos Públicos e Implicações Legais
Antes do desfile, a Acadêmicos de Niterói recebeu um repasse de R$ 1 milhão por meio de um termo de cooperação entre o Ministério da Cultura e a Embratur. Apesar das recomendações de técnicos do Tribunal de Contas da União para suspender o repasse, o relator do caso decidiu rejeitar as chamadas para suspensão. A situação levou o Tribunal Superior Eleitoral a analisar uma ação do Partido Novo, que alegou que a escola estaria fazendo propaganda eleitoral antecipada.
A presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, negou uma liminar na ação, mas ressaltou que o Carnaval não deve ser utilizado como um meio para promover ilícitos eleitorais. Também houve a rejeição de uma ação popular proposta pela senadora Damares Alves na Justiça Federal do Distrito Federal.
Próximos Passos e Recurso
Além das disputas políticas e das controvérsias geradas, a escola Imperatriz Leopoldinense alegou ter sofrido prejuízos operacionais durante os desfiles do Carnaval. Em resposta, a Acadêmicos de Niterói contestou a apuração e apresentou um recurso à Liga das Escolas de Samba.
Com o rebaixamento agora confirmado, a agremiação terá a expectativa de retornar ao Grupo Especial ao disputar a Série Ouro em 2027. O futuro da escola ainda parece incerto, mas sua história no Carnaval e as polêmicas que a cercam certamente continuarão a ser um tema de debate.
